''Receita'' da pesquisa está disponível na internet

- O Estado de S.Paulo

As duas primeiras linhagens brasileiras de células iPS (humana e de camundongo) foram produzidas dentro de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O objetivo é estudar a eficiência de vários tipos de células-tronco (embrionárias, adultas e, agora, de pluripotência induzida) no tratamento de camundongos portadores de uma lesão degenerativa no cérebro, semelhante à que ocorre em pessoas com a doença de Parkinson. A ideia é usar as células-tronco para produzir novos neurônios dopaminérgicos, que possam restaurar as funções cerebrais afetadas pela doença.   Saiba o que são células-tronco e entenda a polêmica do uso de embrião Uma vez estabelecidas as linhagens, o trabalho de produção das células iPS ficará sob a responsabilidade do recém-criado Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance), aprovado em junho do ano passado por um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia. A proposta, segundo Stevens Rehen, é que o Lance funcione exatamente como um prestador de serviços, produzindo células-tronco em larga escala e repassando-as gratuitamente a cientistas que queiram trabalhar com elas. A Universidade de São Paulo também participa do consórcio, na figura da pesquisadora Lygia Pereira, que produziu a primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias humanas. Os cientistas ressaltam que a obtenção das células iPS não diminui a importância das células-tronco de embriões. "Os estudos comparativos ainda são essenciais. Em todos os ensaios precisamos ter uma ao lado da outra, iPS e embrionárias", explica a aluna Bruna Paulsen, que trabalha diariamente com as células. "Ninguém no mundo ainda descarta as embrionárias", completa o professor Rehen. DIVULGAÇÃO O processo usado na reprogramação genética das células está sendo divulgado como "software livre" pelos pesquisadores. Numa atitude incomum dentro do universo científico, a equipe do projeto montou um site detalhado no qual explica, passo a passo, como produzir as células iPS. "A ideia é que mais pessoas possam trabalhar com isso", afirma Rehen. O endereço do site é www.anato.ufrj.br/ips.