Quem não tem castor caça com sambaqui

Marcos Sá Corrêa* - O Estado de S.Paulo

Dos imigrantes clandestinos de Nova York, o mais notório é o José. Ele chegou lá a nado. Construiu por sua conta e risco uma habitação para lá de informal - pior, "posta de pé cruamente", como disseram na ocasião os repórteres que cobriram seu debute em Manhattan. Apesar dos pesares, José teve recepção de visitante ilustre. The New York Times saudou-o. E, em dezembro passado, quando José reencarnou, após breve e sentida ausência, o jornal noticiou sua volta como a "do pródigo". Ele é a estrela de uma longa saga de recuperação ambiental na Ilha de Manhattan. Aliás, seu nome vem de José Serrano, deputado de origem porto-riquenha que arrancou US$ 15 milhões dos cofres norte-americanos para a limpeza do Rio Bronx, cujas margens estavam povoadas por lixo, esgoto e carro velho.

* É jornalista e editor do site O Eco (www.oeco.com.br)