Qualidade de vida ou farra?

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Não tem jeito. Quando um grupo de homens está reunido, o assunto preferido é sempre o mesmo: mulher. Eles sempre arranjam uma maneira de contar as suas histórias e tirar vantagem do assunto, e não fazem isso só em mesa de boteco.De acordo com os dados de uma pesquisa realizada com 500 paulistanos, a rapaziada também freqüenta academia para se divertir. Enquanto 50% das mulheres que praticam atividades físicas estão em busca da manutenção da saúde, 45,2% dos homens procuram a malhação para se distrair e apreciar as suas colegas de academia. Elas vão malhar. Eles vão azarar.A enquete foi realizada pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) e do Canal Varejo, no segundo semestre de 2006, e faz parte da série de estudos sobre as características do mercado brasileiro de bens e serviços. O objetivo é apurar a atual situação deste segmento, fazendo um diagnóstico do comportamento das pessoas que habitualmente realizam atividades físicas. ?Os dados demonstram o surgimento de uma população de cidadãos mais conscientes. As pessoas aprenderam a relacionar o impacto de seu ritmo de vida ao desenvolvimento das doenças modernas e querem evitá-las?, avalia o professor Claudio Felisoni, coordenador geral do Provar.?Cada vez mais os alunos buscam manter um corpo perfeito, mas com qualidade de vida e uma boa alimentação. Mas as garotas são bem mais determinadas do que os rapazes. Todo dia é uma festa na academia, mas quem comanda a algazarra, na maioria dos casos, são os garotos?, conta a personal trainer Andréa Matsubara, que, além disso, revela que os homens também são mais preguiçosos.?Eles sempre fazem manha para os professores e sempre querem boicotar alguma parte do treino. As meninas, não. Elas seguem à risca e fazem todas as aulas de ginástica e de alongamento. Não são nada preguiçosas?, garante. Caminhada em primeiro lugarO estudo mostra, por exemplo, que entre as atividades físicas mais praticadas estão a caminhada (50%), primeiro lugar na preferência dos entrevistados, seguida pelo futebol (26%). Fora isso, para 47,2% dos participantes da enquete, a preocupação com a manutenção da saúde está em primeiro lugar, seguida de diversão (33,8%) e perda de peso (27,8%). ?Juntamos uma turma de seis mulheres e, diariamente, caminhamos no Parque do Ibirapuera. É um estímulo para começar bem o dia?, diz a aposentada Maria Machado Lopes, de 63 anos. Porém, no ranking dos locais em que os entrevistados procuram para a prática dos exercícios, andar no parque não foi o campeão. Os dados indicam que 31,6% dos entrevistados costumam fazer uso das ruas de São Paulo para deixar o corpo em dia. De acordo com Felisono, talvez seja o reflexo da carência de investimentos governamentais em parques esportivos coletivos, que só aparecem em terceiro lugar na preferência, com apenas 15,4%.Em segundo lugar figuram as academias privadas, com 22,4%. Segundo dados da Associação Brasileira de Academias (Acad), existem aproximadamente 7 mil academias espalhadas por todo o País, atendendo a um número estimado de 2,8 milhões de pessoas.Resultado contraditórioUm dado alarmante foi revelado na pesquisa. Embora preocupados com a manutenção da saúde, 66,4% dos entrevistados não consultam um médico antes do início da realização de qualquer exercício. Além disso, 62,6% realizam exercícios na ausência de professores. Contraditoriamente, 63,4% demonstram preocupação em acessar notícias nutrimentais a fim de entender o funcionamento do corpo e alimentar-se adequadamente. ?É um crime para o corpo do aluno. Ele precisa, freqüentemente, ter o suporte de um profissional especializado para orientá-lo durante todos os exercícios. Porém, é um erro da academia não ficar de olho nesses alunos?, alerta a personal.