Protestos dão lugar a reuniões

Elida Oliveira - O Estado de S.Paulo

Na FFLCH, alunos e docentes discutem o que fazer após confronto com PM; em outras unidades, aulas normais

A concentração marcada para o meio-dia de ontem, em frente à reitoria da USP, não aconteceu por falta de quórum: 15 alunos compareceram. Às 15 horas, houve reunião de estudantes em frente à cantina do prédio de História. Também à tarde, cerca de 200 professores votaram, no auditório de Geografia, sete pontos principais de divergência em relação à gestão da reitora. Entre eles, a destituição de Suely Vilela, a retirada da PM, eleições diretas para reitor e a reabertura da negociação com o Fórum das Seis. A Avenida Prof. Luciano Gualberto, dentro do câmpus, era bloqueada com cadeiras. Veja notícias e fotografias da USPNa Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o sentimento geral era de consternação, mas sem atos, protestos ou confrontos. Os alunos passaram o dia preparando cartazes. Nas demais unidades, não havia indícios de que a PM havia estado no câmpus. Alunos da Faculdade de Economia e Administração (FEA) e da Politécnica (Poli), por exemplo, tiveram aulas."Nunca ouvimos falar em bombas e balas de borracha dentro da USP, mas não há, entre os alunos, tensão ou indução para aderirmos à greve", afirmou o estudante de Administração João Garrido Júnior, de 26 anos, integrante do Centro Acadêmico da FEA. Para ele, a presença da PM seria necessária para dar segurança aos alunos. Na terça, uma assembleia da FEA proporá pesquisa de opinião para os estudantes. "O DCE fala que todos estão em greve, mas queremos mostrar o que está realmente acontecendo na universidade", afirmou Garrido.Para Leonardo Piva Kaneko, de 20 anos, diretor do Grêmio da Poli, os alunos da unidade estão descontentes. "Achei a força desmedida por se tratar de estudantes, sem distinção entre manifestantes ou alunos." Ele diz que ali também se discute a representatividade do movimento estudantil e que um grupo de alunos da Poli e da FFLCH realiza, há pouco menos de um mês, abaixoassinado contra a greve que já recolheu mais de 3 mil assinaturas. "Acho que o movimento estudantil não pode ser construído com base na opinião de uma minoria que fala mais alto."O professor de História Gildo Magalhães, que não aderiu à greve, disse ver com "preocupação e tristeza" a presença da PM. "Muitos professores que não estavam paralisados se sentiram desconsiderados porque a polícia jogou bomba no prédio de História e Geografia enquanto nós estávamos aqui, fazendo assembleia."Para ele, as reivindicações a respeito de aumento salarial poderiam ser negociadas de outras maneiras, sem greves ou confrontos. "Alguns alunos não faziam ideia de que a violência atrai violência e sentiram isso ontem, pela primeira vez." UNICAMPNa Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professores e estudantes resolveram aderir à greve dos funcionários, que hoje completa 13 dias. O confronto com a PM na Cidade Universitária estimulou a decisão e a paralisação deve seguir até que a força deixe o câmpus da USP. Na terça-feira haverá assembleia para votar a continuidade da greve.ÚLTIMAS GREVES2000: O movimento de professores, funcionários e alunos durou 52 dias. A reitoria foi interditada pelos grevistas e o reitor Jacques Marcovitch dormiu no sofá porque foi impedido de deixar o prédio2002: Alunos do curso de Letras se recusaram a ter aulas e reclamaram da falta de professores e de estrutura da unidade. Funcionários aderiram à paralisação. A greve durou 104 dias2004: Professores e funcionários pararam por 63 dias por reajuste salarial. Unesp e Unicamp também aderiram. A reitoria da Unesp, na capital, foi invadida e houve confronto com a polícia2005: A reivindicação era a revogação do veto do então governador Geraldo Alckmin ao aumento de verbas para educação no Estado. Grevistas invadiram a Assembleia Legislativa 2009: No dia 5 de maio, funcionários decretam greve. Alunos invadem a reitoria 20 dias depois, após desentendimento com reitores. Ficam no local por quatro horas. Dois dias depois, funcionários bloqueiam a entrada da reitoria e de outros seis prédios. Em 1.º de junho, policiais entram no câmpus e liberam a entrada dos edifícios, deixando a USP horas depois. No dia seguinte, funcionários retomam o bloqueio e a polícia retorna. Na terça-feira, grevistas fecham o portão 1 da USP. Estudantes entram em confronto com a PM