Promotor do interior denunciou fraude em exame da OAB-SP

José Dacauaziliquá e Naiana Oscar - O Estado de S.Paulo

Procurador-geral recebeu no sábado, por e-mail, questões iguais às da prova que seria feita no domingo

A fraude na primeira fase do exame da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) foi descoberta por um promotor da cidade de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Ele encaminhou no sábado e-mail com oito questões que teriam sido apresentadas num cursinho preparatório - duas delas eram idênticas às da prova que seria aplicada no domingo - ao procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho. Esse, por sua vez, encaminhou a mensagem ao presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D?Urso, que pediu que a prova fosse suspensa.A revelação da origem da denúncia foi feita ontem à tarde na sede da Superintendência da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste, durante a entrega do pedido de abertura das investigações para apurar os responsáveis pelo vazamento.A PF assumiu a investigação e tem, por lei, um prazo de 30 dias para concluir o inquérito policial. O corregedor da PF já adiantou que a data final para o término da apuração será estendido. "Vamos pedir a prorrogação do prazo para a conclusão da investigação." O trabalho de apuração deve contar com a ajuda do Ministério Público Federal, que deverá designar nos próximos dias um procurador encarregado do caso.A prova foi cancelada na noite de sábado e cerca de 10% dos 25 mil inscritos compareceram aos locais da prova na manhã de anteontem. Um novo exame será marcado para o ano que vem, sem data prevista. A taxa de R$ 180 não precisará ser paga novamente pelos 25 mil candidatos. Segundo Braz Martins Neto, presidente da Comissão de Exame de Ordem da OAB-SP, as questões são enviadas 15 dias antes do exame para a Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista (Vunesp), que imprime as provas. "Cerca de cinco dias depois, volto para verificar e aprovar a matriz. Apenas um funcionário da Fundação participa desse processo comigo. São pessoas das mais ilibadas possíveis. Agora, se mais alguém tem acesso à prova, só a Vunesp pode dizer."Os candidatos que se sentirem prejudicados pelo cancelamento do exame podem reclamar reparação. "Muitos, provavelmente, não poderão fazer a prova na nova data", disse o advogado Josué Rios.