Projeto de R$ 100 ajuda professor a ensinar melhor

Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Valor corresponde à média aplicada por docente; com isso, aproveitamento do aluno pode dobrar, diz estudo

Um investimento de R$ 100 por pessoa ajuda professores a ensinar melhor. Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que o Pro-Letramento, programa do Ministério da Educação, causa impacto no resultado da Prova Brasil em Estados que aderiram ao sistema. O trabalho, assinado pelos professores Marta Barroso e Luiz Carlos Guimarães, revela que, onde já houve treinamento da maior parte dos professores, os resultados na Prova Brasil de português e matemática de alunos da 4ª série podem ser mais do que o dobro dos obtidos em Estados do Sudeste. Informações complementaresO impacto da prova elevou, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Piauí - Estado com mais professores treinados - de 2,8 pontos, em 2005, para 3,5 em 2007."O que vemos indica realmente uma forte correlação entre as duas coisas: os Estados com maior índice de melhora são justamente aqueles onde o programa, no momento em que os alunos faziam a prova, havia formado uma proporção maior de professores. No outro extremo está um Estado como Sergipe, o último da região a efetivamente aderir ao programa", concluem os professores. Esse não é o primeiro programa de educação continuada desenvolvido pelo MEC. Houve outras tentativas tanto neste governo quanto no anterior e, como as avaliações mostram, os resultados foram pífios. O impacto do atual programa ainda é pequeno, mas o estudo aponta que Estados que passaram por ele foram além dos demais. Criado em 2007, o Pro-Letramento forma tutores - professores das redes estadual e municipal instruídos por mestrandos ou doutorandos - para treinar seus colegas. Cada tutor recebia até o ano passado uma bolsa de R$ 100, reajustada agora para R$ 600, e material para dar aulas e distribuir aos colegas."É um material que não faz opção por um método de alfabetização, mas mostra ao professor como a criança adquire a base alfabética e o que ele deve estudar com o aluno", diz a secretária de ensino básico do MEC, Maria do Pilar Lacerda e Silva. O custo é a impressão do material didático - feita por licitação e em grande quantidade, tornando-o mais barato - e o pagamento das bolsas. No final, sai por menos de R$ 100 por professor treinado. "Torna-se claro que é possível influir positivamente na efetividade do sistema escolar público", diz o estudo da UFRJ. "Isto não é apenas factível, mas seu custo pode ser surpreendentemente baixo."O trabalho, porém, chama a atenção para uma questão: é preciso chegar à maioria dos professores. Até agora, 260 mil docentes foram treinados. O programa não tem prazo para acabar. A intenção é chegar a todos os 685 mil professores das séries iniciais no País. Este ano, o MEC começou também a treinar professores das séries finais do fundamental em português e matemática. A meta é chegar a 120 mil em 2009.