Professores resistiram a cumprir 200 dias letivos

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Um dos elementos básicos do calendário escolar, o cumprimento da jornada de 200 dias letivos, é a meta mais difícil para muitas redes que aderem aos programas do Instituto Ayrton Senna. Segundo gestores, há resistência dos professores. "Isso (cumprir os 200 dias) nunca tinha acontecido no município. Os professores sempre faltaram muito, chegavam bastante atrasados, era normal", conta Maria Cristina Pereira de Andrade, ex-secretária da Educação de Araguaína (TO). A cidade adotou os programas em 2001. Na época, 58% dos estudantes de 1ª a 4ª série eram aprovados. Em quatro anos, o número saltou para 93%. Cerca de 30% deles abandonavam a escola todos os anos, índice que foi para 0,8%. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos anos iniciais foi de 4,2 (a média nacional é 3,8). "Mas teve muito protesto, os professores reclamavam que o modelo cobrava demais." Em Boca do Acre (AM), onde também houve grande avanço nos anos iniciais, a implementação foi tumultuada. "Mudar a cultura do professor é muito difícil. Nenhum deles queria cumprir os 200 dias de aula", conta a professora Cecília Castro Leite, coordenadora da rede na época do início do programa. "Hoje, se um professor falta, ele marca uma substituição no sábado, no feriado", conta. A rede teve o Ideb mais alto do Estado no ano passado. Com o programa, o Ideb de Cruzeiro do Sul (AC) de 1ª a 4ª série foi de 4,8. Mas a cidade passou por experiência comum: com a mudança de gestão na prefeitura, o entendimento do novo secretário foi de que os programas não eram mais interessantes e, com isso, todo o processo foi interrompido.