Professores entram em greve em SP

Rodrigo Gallo - O Estado de S.Paulo

Objetivo do sindicato da categoria é pressionar o governo a revogar decreto que altera regras de transferência

Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram ontem entrar em greve por tempo indeterminado para pressionar o governo a revogar decreto publicado no final do mês passado que alterou as regras de transferência do local de trabalho e de contratação de profissionais temporários. Após a assembléia, os servidores saíram em passeata pelo centro de São Paulo até a Avenida Paulista, onde o trânsito chegou a ser interrompido no início da noite. A paralisação foi votada em assembléia realizada na Praça da República, local também da sede da Secretaria de Estado da Educação. Houve, porém, uma grande diferença no número de participantes: segundo o sindicato dos professores (Apeoesp), a assembléia reuniu cerca de 30 mil servidores. Já a secretaria contesta e diz que foram menos de 5 mil. De acordo com a secretaria, São Paulo tem 250 mil professores. A categoria decidiu cruzar os braços para protestar contra o decreto 53.037, de 28 de maio deste ano. Segundo o governo, a nova medida foi adotada para regulamentar a transferência dos profissionais do setor. O motivo é que 51 mil professores efetivos da rede mudaram de escola durante o período letivo, o que é considerado ruim para a continuidade do plano pedagógico das instituições de ensino. Os servidores continuam autorizados a solicitar a transferência, mas o decreto criou regras para regulamentar essas mudanças. De acordo com a Apeoesp, o problema é que muitos servidores aprovados em concurso público moram no interior, por exemplo, mas só pegam aulas na capital. Sendo assim, eles acabam solicitando a transferência de escola para ficar mais perto de casa. Os servidores explicam que o decreto impede essa possibilidade de mudança. Desde o início da vigência da nova regra, os professores em início de carreira têm de permanecer na mesma escola por pelo menos três anos. Em nota, a Secretaria da Educação reafirmou que essa limitação é importante para garantir a continuidade do trabalho pedagógico e estreitar a relação entre docentes e alunos. Oficialmente, a greve dos professores começou ontem, logo após a assembléia da categoria, que ocorreu às 15h. Hoje, a Apeoesp vai realizar diversas reuniões nas subsedes da entidade para organizar as formas de mobilização. O sindicato da categoria já agendou uma nova assembléia geral para a próxima sexta-feira, às 14h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista.