Professores entram em greve a partir de 4ª-feira

Simone Iwasso e Sandro Villar - O Estado de S.Paulo

Docentes da rede estadual exigem que Serra retire da Assembleia projetos como o da Escola de Formação

Professores das escolas estaduais de São Paulo anunciaram ontem greve por tempo indeterminado a partir da quarta-feira contra mudanças na carreira do magistério divulgadas no início do mês pelo governo. Eles querem que o governador José Serra (PSDB) retire da Assembleia Legislativa dois projetos de lei enviados para votação.Um deles institui um exame para professores temporários e outro torna obrigatório que aprovados em concurso se submetam a um curso de formação e uma prova. A Secretaria de Estado da Educação não se pronunciou sobre a paralisação.Na segunda e na terça, os professores estarão nas escolas para conversa com os pais, explicando a greve e seus motivos. A partir de quarta, eles farão audiência pública na Assembleia. Em 2005, uma greve de professores e uma passeata de 8 mil docentes na Avenida Paulista fizeram com que o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) desistisse de um projeto de lei que limitava o tempo de contratação de temporários. A greve foi decidida ontem pelo sindicato dos professores (Apeoesp) durante manifestação em frente ao prédio da secretaria, na Praça da República. Segundo nota da Apeoesp, projetos "retiram direitos e precarizam (sic) ainda mais a vida funcional dos admitidos em caráter temporário". Eles enviaram uma carta aos deputados estaduais reafirmando as críticas contra os projetos e as alterações na carreira. Outras reivindicações dos professores são 27,5% de reposição salarial e cumprimento de um terço da jornada em atividades extra classes.O pacote anunciado pelo governador e pelo secretário da Educação, Paulo Renato Souza, prevê um curso de formação de quatro meses e uma prova para todos os ingressantes no magistério da rede estadual a partir do próximo concurso público. Outra medida é a criação de 50 mil vagas mais concurso para preencher outras 10 mil. As alterações tornam obrigatória a prova para atribuição de aula para os temporários - aplicada pela primeira vez no fim do ano passado e suspensa pela Justiça em fevereiro. Apenas os aprovados poderão dar aulas. Os outros ficarão na rede em carga horária reduzida e atividades fora da sala de aula. Ontem, o governador José Serra foi recebido com protestos de professores em entrega de hospital em Presidente Prudente (a 562 quilômetros da capital). Vaiado e chamado de ditador, Serra ironizou: "Eles são contra a saúde. São de seitas e partidecos. Nós governamos para toda a população de São Paulo." A entrevista coletiva foi tumultuada e seguranças reprimiram jornalistas com truculência. Um segurança agarrou o repórter na frente do governador, que condenou a atitude do rapaz. OS PROJETOS Concurso: Um dos projetos prevê a criação de 50 mil vagas para professores da rede estadual. Há outras 10 mil disponíveis. A expectativa é de que seja feito um concurso para esses postos no segundo semestre deste ano Prova: Outro projeto institui uma prova anual para atribuição de aulas a professores temporários. Quem não tiver um desempenho considerado suficiente não poderá dar aulas. Deverá permanecer na rede com uma carga horária menor, em uma atividade auxiliar, como em bibliotecas. Além disso, os temporários terão contrato de só um ano, que terá de ser renovado no ano seguinte Formação: Haverá uma escola de formação, criada por meio de decreto, para todos os professores aprovados em concurso. Eles farão um curso de quatro meses e terão de ser aprovados em uma prova final