Procura por ajuda pode levar até 6 anos

- O Estado de S.Paulo

Desde 2000, médicos dependentes químicos são atendidos por uma rede de psiquiatras no Estado de São Paulo. O serviço, coordenado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e pela Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), recebe profissionais que demoram até 6 anos para procurar ajuda. Entre a população em geral, esse período é de 7 anos. "O conhecimento médico ajuda discretamente no reconhecimento do problema e na busca de auxílio", afirma o psiquiatra Hamer Nastasy Palhares Alves. A pesquisa de Palhares não indica a prevalência do uso de drogas entre os médicos, mas ele acredita que seja similar ao resto da população. Ou seja, entre 4% e 8%. Para o álcool, o índice pode chegar a 11%, como confirma o coordenador da Uniad, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. Para ele, médicos não são diferentes de outros profissionais e podem ficar doentes ou se tornar dependentes químicos como qualquer pessoa. "O que mais me preocupa nesses resultados são os que não recebem tratamento", diz. CULPA Uma das causas da demora dos médicos em procurar ajuda é a própria estigmatização do vício. Para eles, essa "culpa" tende a ser ainda maior porque são profissionais da saúde. "Muitas vezes, preferem até mesmo se tratar em outras cidades", afirma Henrique Carlos Gonçalves, presidente do Cremesp. Antes da criação do programa, quando o conselho de medicina identificava um profissional com problemas, simplesmente suspendia seu registro e o impedia de trabalhar. "Hoje temos mais controle sobre essa situação", diz Gonçalves.