Prefeitura lança material inclusivo

Simone Iwasso e Luciana Alvarez - O Estado de S.Paulo

Rede adaptou volume do programa Ler e Escrever para alunos surdos

Em meio às dificuldades para promover a inclusão de estudantes com necessidades especiais na rede pública, e à polêmica sobre a continuidade das escolas especiais no sistema, a Secretaria Municipal de São Paulo saiu à frente e lançou um material voltado especificamente para auxiliar na alfabetização e desenvolvimento da leitura de crianças surdas. O volume é uma versão do Programa Ler e Escrever, implantando há dois anos para melhorar a alfabetização dos estudantes - no início apenas nos dois primeiros anos e, a partir do ano que vem, expandida para os quatro primeiros anos do ensino fundamental. A iniciativa é a primeira do tipo feita por uma rede pública."É necessário um trabalho específico para alunos surdos. Como devem aprender a língua de sinais, eles têm condições diferentes para o aprendizado da língua portuguesa e os professores precisam estar preparados para contemplar essas especificidades lingüísticas", diz o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider. Essa dificuldade é, justamente, um dos entraves na inclusão de alunos surdos na rede. Hoje, no sistema municipal, há cerca de 1.100 alunos com deficiências auditivas em oito escolas especiais e outros 560 espalhados pelas escolas regulares - no total, são cerca de 10 mil estudantes com vários tipos de necessidades especiais. O material ajudará o professor a estimular e respeitar o estudante.A expectativa é que o material ajude no trabalho de inclusão, receio de muitos pais. No caso de Ana Lice de Matos, mãe de Thiago, vítima de meningite aos 4 meses, a comunicação no começo foi feita com sinais inventados. "Às vezes ele queria me falar alguma coisa que eu não conseguia entender de jeito nenhum. Ele tinha só 3 anos, mas ficava furioso, batia porta, jogava coisas no chão", conta. Aos 5 anos, Thiago conseguiu vaga em uma escola especial. Lá, antes de aprender o português, ele aprendeu libras, e hoje, aos 9 anos, consegue expressar tudo o que deseja. "Ele está muito mais calmo. Antes, as pessoas achavam que ele tinha alguma outra deficiência, de tão difícil que era o comportamento dele." Ana Lice também passou a freqüentar a escola para conseguir conversar com o filho. "Já falo bastante coisa em libras, mas ainda estou aprendendo", conta. Thiago também estuda todas as outras disciplinas regulares da escola.