Postura de Obama é cuidadosa

John M. Broder, AP, WASHINGTON - O Estado de S.Paulo

Presidente prometeu ação rápida contra mudança climática, mas não lutou por plano de crédito de carbono

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assumiu com a promessa de agir de maneira rápida e abrangente para combater a mudança climática, e seu discurso continua angariando aplausos dentro e fora do país. Mas sua administração tem adotado uma postura cuidadosa e razoavelmente passiva sobre o assunto, proclamando objetivos abrangentes, mas mantendo distância dos detalhes da legislação sobre o clima discutida no Congresso. O orçamento do presidente inicialmente incluía uma receita de cerca de US$ 650 bilhões em dez anos, vinda de um plano de crédito de carbono que ele quer adotar. Mas a administração não lutou para manter o crédito de carbono no conjunto de resoluções aprovadas pelo Congresso na semana passada - o plano também ficou de fora da versão para o Senado.No exterior, autoridades do país estão dizendo a seus colegas estrangeiros que necessitam de tempo para medir o apetite do povo norte-americano por um ambicioso esquema de redução de carbono antes de liderar qualquer esforço internacional. Teria a administração voltado atrás em seus objetivos para o aquecimento global ou ela está engajada em uma sofisticada maneira de distrair o público? Talvez um pouco dos dois. Enquanto a mudança climática parece estar escorregando para o final da lista de prioridades do presidente para este ano, ele deixa reservada uma poderosa ferramenta para regular as emissões de dióxido de carbono (CO2) por meio da autoridade do Executivo. Esta ferramenta é a regulação dos gases do efeito estufa pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês), uma autoridade concedida ao órgão pela interpretação do Ato Federal do Ar Limpo (Clean Air Act) pela Suprema Corte. Autoridades administrativas dizem constantemente que prefeririam que o Congresso elaborasse uma nova legislação para moderar os poderes regulatórios da EPA, mas o governo está claramente reservando esses poderes para estimular legisladores relutantes e indústrias teimosas, além de usá-los como uma prova de boa vontade a outras nações. Lobistas da indústria e congressistas engajados em projetos de lei sobre energia e aquecimento global dizem que estão bem atentos ao papel que a EPA pode vir a desempenhar. "A maioria preferiria um ato do Congresso", diz o deputado democrata Rick Boucher, da Virgínia. "Nós podemos ser mais equilibrados e levar em conta os efeitos sobre a economia. Mas se não tomarmos uma atitude, a EPA certamente o fará."FRASESCarol M. BrownerCoordenadora das políticas de clima e energia da Casa Branca"(O presidente Obama) está ansioso para trabalhar com os membros do Congresso em ambas as câmaras para aprovar um projeto de lei que faria a transição da nação para uma economia baseada em energia totalmente limpa"