Ponto de vista deles

- O Estado de S.Paulo

A propósito do Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã, eles refletem e opinam sobre o sexo oposto

 

UM EX-MULHERENGO

Por Roberta Sampaio

 

O produtor musical, letrista, escritor e jornalista Nelson Motta é pai de três filhas, avô de duas netas (e um neto), único filho homem - tem duas irmãs - e está no quinto casamento. Foi um "mulherengo patológico" (palavras dele) até os 40. Hoje, aos 65 anos, desfruta da família, da companhia da atual mulher, Andréa Jordão, e da sabedoria acumulada sobre a espécie feminina.

 

Quais são as referências femininas mais fortes na sua vida?

Minha avó Elza, que era austríaca, e minha mãe Xixa, de 89 anos, como referências amorosas. Sempre fizeram me sentir muito amado. E minhas filhas, Joana, Esperança e Nina Morena, com quem aprendi mais do que ensinei, experimentei um amor incondicional, companheiro e cheio de alegria. Com minhas netas, Antonia e Marina, estou experimentado uma outra referência amorosa maravilhosa. Sempre vivi num mundo feminino. Meus únicos concorrentes são meu pai, de 89 anos, e meu neto Joaquim, de 13.

 

Do seu primeiro casamento ao último, o que mudou na forma de você se relacionar com elas?

Tudo. Não se pode comparar um moleque de 24 anos, que sai da casa dos pais para casar com uma mulher quatro anos mais velha, como foi meu primeiro casamento, com o que vivo hoje: avô, em busca de paz, amor e sossego.

 

Quem se transformou: você ou as mulheres?

Posso ser meio louco, mas não sou burro. Então, aprendi bastante com meus erros, ciúmes, controles, desconfianças, paranoias, carências, traições... todo esse lixo. Acho que mereço a paz em que vivo hoje. Paz em movimento, é claro!

 

É difícil conviver com uma mulher?

Muito. Sabe aquela história do Freud de "nunca se sabe o que quer uma mulher"? Pois é...

 

Quais são as dificuldades? E as delícias?

O difícil é entender o que elas querem. E ter paciência para esperar e para ouvir. O pior é discutir a relação, quando elas gritam e choram. O melhor é a doçura, o amor de mãe e de filha, que é incondicional, um porto seguro. Mas conquistar, merecer e retribuir o amor de uma estranha também é maravilhoso, são encontros inesquecíveis, o momento do sim, do "eu também te amo", com beijo. E sexo, né? Quando é bom, é ótimo, não há nada melhor do que bom sexo com a mulher amada.

 

Você se considera machista?

Tenho três filhas, sempre fui um espião delas no mundo masculino, "traduzindo" o que os homens lhes diziam. Não acho o homem superior à mulher. Pelo contrário, em muitas atividades confio muito mais nas mulheres do que nos homens, como em investimentos, administração, pilotagem de aviões, educação, saúde, odontologia, e até na política, porque elas são menos corruptas. Por enquanto...

 

E elas? O que pensam de você?

Elas gostam de mim (risos). Porque sabem que eu as adoro. Tenho fascínio absoluto por mulheres. Tenho prazer em servi-las. Quando quero.

 

As mulheres de hoje são mais ou menos interessantes do que as de décadas anteriores?

Acho que mais. Há maiores chances de encontrar mulheres interessantes. Os conceitos de charme e beleza estão em constante transformação, há novos valores, já temos uma geração pós-feminista. Ter que aturar aquela primeira geração de feministas raivosas dos anos 60 não foi fácil.

 

Tem alguma nostalgia em relação a elas?

Nenhuma. Sempre fiz tudo o que quis. Mas cada coisa na sua hora. Vivi na noite, fui dono de clubes, doidão, mulherengo patológico até os 40. Depois passei para o dia, virei escritor, saio pouco de casa, faço exercícios, trabalho muito, e me dedico à família. E tenho uma mulher maravilhosa, discreta, querida, companheira, e muito alegre e bonita... o que mais posso querer?

 

O que você acha do silicone?

Não gosto. Quase sempre a forma é feia, artificial, aquela bola dura. E para pegar, mas pegar pegando, é uma sensação muito desagradável. Prefiro um mole e honesto.

 

O que você prefere: uma mulher de 40 ou duas de 20?

Sempre preferi as de 40, mesmo quando tinha 20. Depois dos 40, tive uma fase de encanto pelas de 20, mas se tivesse que escolher entre as duas, preferiria duas de 40.

 

Em qual fase a mulher é mais interessante?

Talvez ali pelos 36, 38 anos, quando ainda tem muita juventude e já tem bastante experiência.

 

Em que posição elas são mais desafiadoras: como filhas, mães, irmãs, esposas, ex-mulheres, amantes..?

Pô, ex-mulher abandonada é o pior. Olha só esses políticos e artistas e seus escândalos, sempre é a ex que detona. Os infernos não conhecem fúria maior do que a de uma mulher rejeitada, disse Shakespeare, que entendia do assunto.

 

Em que você se compadece com as mulheres?

Hum... menstruação deve ser horrível, né? E gravidez e parto, então, nem pensar! Mas fazer a barba todo dia também não é uma delícia.

 

E as inveja em algo?

Não, gosto das diferenças.

 

 

 

 

O MÉDICO DAS EMOÇÕES

 

Por Cristiana Vieira e Roberta Sampaio

 

Paulo Serafini vive de braços dados com a ciência - mas não só isso. Médico associado à Clínica Huntington, é também professor e pesquisador no Brasil e Estados Unidos. No exercício da profissão, busca fazer com que mulheres com problemas de infertilidade realizem o sonho de serem mães. É aí que tem contato privilegiado com a natureza humana - especialmente a feminina.

 

Pela sua vivência, qual o significado de ser mãe para a mulher ?

Apesar de toda a evolução, a maternidade ainda é uma "imposição social". Algumas mulheres convivem bem com isso. Mas, para outras, ser mãe é imprescindível. Creio que a maternidade é o modo inconsciente de uma mulher extravasar um amor único, que, se aprisionado, mata uma parte dela. Por isso, é tão doloroso para a mulher que almeja ser mãe, e sonha com isso, não conseguir realizar esse desejo. Ela não tem para onde direcionar esse amor. Por mais que tente, o vazio a acompanha.

 

O que representa ajudá-las a realizar esse desejo?

É muito bom ser capaz de proporcionar uma felicidade dessa imensidão. Sentir no agradecimento dessas mulheres e desses casais o mesmo amor que têm guardado para a criança é uma sensação que não é passível de descrição.

 

E quanto às que não conseguem engravidar?

É bem difícil para uma mulher admitir, apesar de todo esforço que se faça, que ela não será capaz de gerar uma vida. Creio que se sentem vazias, incompletas, revoltadas e se perguntando "por que eu?"

 

Como se sente diante dos casos de impossibilidade de gravidez?

Sinto-me muito pior que elas. Por não vê-las felizes e com um sonho realizado. Por mais que eu tenha a certeza de ter feito tudo possível - dentro de minhas possibilidades e das possibilidades da ciência - para ajudá-las nessa realização, fica uma sensação de dever não cumprido. Um desejo de poder inventar, de ser capaz de alguma mágica que alivie a dor daquele momento.

 

Há outras formas de a mulher exercer a maternidade que não seja gerando um filho?

Esse é o nosso grande alento em relação aos casos em que é impossível obter sucesso. O desafio é descobrir se, para a mulher que está ali, a maternidade significa carregar uma criança em seu ventre. Se esse for o caso, temos hoje disponíveis programas de ovodoação, espermodoação, embriodoação. Em casos mais graves, quando o problema da mulher é justamente o de não poder passar pela etapa de carregar o filho no ventre, conversamos sobre adoção, sobre ela dedicar esse amor tão guardado a uma criança que não veio dela, mas que muitas vezes precisa muito dele.

 

Os homens levariam bem um processo de fertilização in vitro, estando no lugar das mulheres?

Não, com toda certeza. No aspecto físico, que significa passar por todas as etapas que a mulher enfrenta num tratamento de fertilização assistida, não! É muito trabalhoso, sofrido, regulado. Medicações, ultrassons, consultas frequentes... Cuidados e sensibilidades que são próprios da mulher. Mas muitos maridos passam também por frustrações e incertezas, principalmente quando a causa da infertilidade é masculina.

 

Como acha que se sairia numa fertilização in vitro, no papel da mulher?

Como homem que sou, a parte física do processo seria muito penosa. Não sei como lidaria com a incerteza do resultado. Por maior tranquilidade que o profissional passe, sempre é informada a chance de insucesso. Creio que a expectativa seja a pior parte do processo para todos: mulher, marido e médico. Mas se eu estivesse no papel da mulher, estaria habilitado a passar por tudo.

 

Alguma vez já teve alguma pontinha de inveja das mulheres, por elas poderem gerar um filho?

Inveja, não. A palavra é admiração, pelo fato de a mulher ter o dom de gerar uma vida e trazer ao mundo um pequeno ser. É notável a sua dedicação à questão da maternidade, mesmo tendo de abdicar, muitas vezes, do trabalho, dos amigos e da própria vaidade, em função do bem estar daquele pequeno ser que está dentro dela.

 

O que você acha mais admirável numa mulher?

Várias coisas. Mas já que estamos falando em maternidade e desejo de ser mãe, vou destacar exatamente isso. Admiro a capacidade feminina de administrar tantos papéis. Admiro a capacidade de ser doce e forte, boa e justa. Admiro as mulheres pela beleza, pela sensibilidade e pela força que são capazes de demonstrar em momentos em que as coisas estão desmoronando.

 

O que você aprendeu com elas nesses anos de trabalho?

Aprendi a ser maleável e paciente, a ler os olhos, a conversar e a entendê-las. Aprendi, sobretudo, que a complicação aparente de uma mulher é simplesmente um sinal de que devemos parar e ouvi-las mais atentamente, observando cada palavra, cada expressão.

 

Quais são as maiores armas femininas?

A determinação, a doçura, a sensibilidade de saber como agir e o que fazer em cada momento. Uma mulher é capaz de convencer qualquer um a fazer qualquer coisa usando apenas o olhar certo, o tom certo de voz.

 

E as maiores fraquezas?

Ser emocional ao extremo. Isso faz a mulher deixar de atingir objetivos em momentos que ela necessita de força.

 

É complicado lidar no dia a dia com tantos hormônios femininos alterados?

Depois de tantos anos nessa atividade, aprendi com as mulheres a ler e a entender seus momentos de fúria, de carinho, de decepção e de tantos outros sentimentos que elas não fazem a mínima questão de esconder - nem devem.

 

 

 

 

FOTÓGRAFO DO BELO

 

Por Roberta Sampaio

 

Mulher bonita é fichinha para o fotógrafo catalão J. R. Duran, acostumado a clicar beldades no seu dia a dia, quando vende sonhos e glamour em campanhas publicitárias, editoriais de moda e nas principais capas de revistas do País - inclusive a Playboy. Na sua opinião, porém, o conteúdo é o que mais importa. Diz que a melhor modelo é a que tem personalidade.

 

O que é uma mulher bonita?

Segundo Voltaire, a beleza é aquilo que mexe com nossos sentimentos e emoções. Assim, uma mulher bonita é aquela que mexe com os sentimentos e emoções de quem a observa. Só que a percepção difere de uma pessoa para outra. É claro que tem aquelas que tocam um maior número de pessoas. Mas não diria que essas são mais bonitas que outras, apenas que satisfazem um público maior.

 

E o que é uma mulher que fotografa bem?

Não existem pessoas que não fotografam bem, mas sim fotógrafos que não sabem fotografar bem. A culpa é do fotógrafo. É claro que tem os padrões estéticos. Porém, mais importante do que o tipo físico é a personalidade.

 

As lentes conseguem captar a personalidade de uma mulher?

Com certeza. Quando faço casting para uma campanha, além das requisições de faixa etária, tipo físico, etc., procuro pessoas com uma certa personalidade. A fotografia sem personalidade acaba sendo uma coisa vazia, opaca.

 

Como revelar uma personalidade por meio da foto?

Com o tempo, fui desenvolvendo essa capacidade e aprendendo a entender os limites de cada pessoa. Engraçado que, para mim, isso é muito fácil no estúdio, com uma câmera na mão. Mas sou péssimo para entender as mulheres fora do estúdio.

 

Por quê?

Porque homens e mulheres são diferentes. Mas acabei descobrindo que a melhor forma de fotografar as mulheres é deixar elas fazerem o que querem. E isso vale para fora do estúdio também. Não tem aquele livro Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus? Então, é só aceitarmos as convenções desse outro planeta. Adotando essa regra de diplomacia, tudo funciona melhor.

 

O que determina as mudanças dos padrões de beleza femininos?

Não tenho ideia. Sei que tudo gira em torno da indústria da moda e há vários truques nisso. Uma hora o comprimento das saias sobe; outra hora, desce. É um movimento de pêndulo, influenciado pelo cansaço natural das pessoas. Todos querem novidades. Em termos de fotografia, há uma série de proporções. A profissão de modelo tem que seguir um certo padrão ergométrico, assim como em outras profissões - o jóquei precisa ter uma determinada altura e peso para se acomodar bem no cavalo, o piloto de Fórmula 1, idem. Existem protótipos de roupas que são feitos para um certo manequim, que segue determinado ideal. A beleza é um ideal. Mas não significa que as pessoas devam copiar.

 

Você acha que o padrão da magreza vai predominar por muito tempo?

Não existe isso.

 

Como não? A grande maioria das mulheres hoje deseja ser magra.

Aí volto ao começo: eu não entendo as mulheres. Por que elas querem ser magras? Desejam ficar mais ágeis? Querem montar a cavalo? (risos)

 

A propósito, o que é uma mulher sensual?

Antes de mais nada, é uma mulher segura de si. E o que a faz assim? É ficar à vontade com seu corpo e sua maneira de ser. Isso vai construindo uma personalidade.

 

E o que é uma mulher vulgar?

A vulgaridade não se ensina, mas todo mundo reconhece. Acho que é vulgar o que ultrapassa os limites do bom gosto. Mas uma mulher considerada vulgar pode ter um cara ao seu lado que a acha o máximo. Detesto colocar padrões.

 

As mulheres hoje têm menos restrições para exibir o corpo?

Todo mundo tem, não só as mulheres. É só ir a uma praia do Rio de Janeiro. As pessoas encaram o corpo de outra maneira hoje. Mas tudo tem a hora certa. Por isso, existem os códigos, o bom gosto. O que você faz na praia, por exemplo, não faz na casa do bispo.

 

A beleza feminina ajuda a abrir portas?

Qualquer coisa pode abrir e fechar portas. Sempre haverá um grupo de pessoas que adora aquilo e outro que não. Mas quem pensa que só com a beleza vai abrir as portas está perdida. Se você tiver que se preocupar em ser bela para procurar um emprego, por exemplo, é melhor buscar um concurso de miss. O que importa é o resultado que você vai apresentar. Vejo as coisas de forma mais pragmática.

 

Numa fotografia de mulher, a maturidade pode ser mais imponente do que a juventude?

Depende. Se a campanha vai falar com o jovem, preciso de uma modelo jovem; caso contrário, de uma modelo madura. É uma questão de adequação. A pessoa com a qual vou conseguir o melhor resultado é a que tem personalidade. Anta não tem idade. Pode tanto haver uma anta jovem, como uma anta mais velha (risos).

 

Que importância a tal beleza interior tem para os homens?

Como não sou paleontologista, não me enfio em cavernas, não sei responder isso (risos). Beleza interior é uma frase super romântica e de efeito. Mas não sei o que é. Ponho isso na mesma cesta da personalidade. Assim sendo, acho que é isso o que as pessoas buscam.

 

Qual a diferença entre fotografar um homem e fotografar uma mulher?

Para mim, é mais fácil iluminar o rosto de um homem do que o de uma mulher. Talvez porque eu prefira as mulheres e, assim, tenho o meu ideal e acabo tendo mais trabalho para alcançá-lo. Por outro lado, eles ficam mais inseguros diante de uma câmera. Na poucas vezes em que fotografei homem tive essa sensação.

 

 

 

 

PALAVRA DE GALÃ

 

Por Ciça Vallerio

 

Raí está com 44 anos e solteiro. Ex-jogador, empresário, palestrante e criador da ONG Gol de Letra, o eterno (e reservado) bonitão tem duas filhas do primeiro casamento - Emanuella, de 26, que lhe deu uma neta, e Raíssa, de 21 - e mais uma do segundo, Noah, de 4. Pelas ex- mulheres, nutre amizade, admiração e respeito.

 

Qual foi a maior lição que você teve de uma mulher?

No período da minha pré-adolescência, quando morava em Ribeirão Preto, meu pai ficava muito tempo fora, viajando a trabalho, e o convívio com minha mãe se intensificou. Como era muito carinhosa, tive a oportunidade de desenvolver meu lado afetivo com ela.

 

Passou a valorizar mais a sensibilidade feminina?

Aprendi com minha mãe e também com minhas três filhas e minhas ex-mulheres como a emoção feminina complementa e equilibra a relação com o homem, geralmente mais racional. Admiro a força dos seus sentimentos, ricos e conflituosos. Amam e sofrem ao mesmo tempo. Deixam-se levar muitas vezes pelas emoções, o que as torna adoravelmente complicadas.

 

De que outra forma a figura feminina marcou a sua vida?

Casei-me cedo, aos 17 anos. Sou um ano mais velho do que a minha ex-esposa, mas ela já era mais madura do que eu - aliás, essa é outra característica das mulheres, que amadurecem sempre antes de nós. Isso foi muito importante para o meu crescimento.

 

As particularidades femininas não irritam você?

Cada mulher tem a sua característica e cada uma traz algo que acrescenta à vivência masculina. Com o passar do tempo, comecei a entender melhor como as diferenças entre homens e mulheres são essenciais para o aprendizado. E a complexidade feminina torna a convivência difícil, mas também fascinante. É o que dá o tempero, o que faz ser gostoso e interessante.

 

O que mais admira na mulher?

O raciocínio rápido, o que a faz ter o dom de refletir sobre determinada situação, a ponto de antever o que uma ação pode causar no futuro. Ela consegue ter a percepção geral das coisas, bem antes do homem. E se existe algo de que me arrependo é de não ter dado a devida atenção aos alertas delas. Hoje, maduro, fico bem mais atento às observações femininas. Existe outra qualidade: invejo nelas a capacidade de serem cuidadoras e detalhistas.

 

Já sentiu alguma dificuldade mais crítica para lidar com as mulheres?

Sendo pai de três mulheres, sempre tive prazer e disposição para entendê-las, mas, na transição para a adolescência, confesso que senti dificuldades. Nessa fase da chegada da menstruação, da vontade de querer ser mais feminina e da turbulência própria da idade e do sexo, o homem fica meio perdido por não conhecer na pele o que tudo isso significa. Aí vem um certo estranhamento das duas partes, mas depois passa e tudo volta ao normal.

 

Em que momento da vida a mulher está no seu auge?

Apesar da minha filha mais velha, Emanuella, ser mãe e muito responsável, acredito que a mulher só amadurece por completo depois dos 30 anos. E torna-se poderosa quando tem a habilidade de lidar com os homens de forma mais segura. É aquele tipo que não se descontrola facilmente, perdendo a razão por besteiras.

 

O que você acha das mulheres que tomam iniciativa na paquera?

Elas tomam mais iniciativa hoje em dia. Levo até na diversão, mas é o tipo de atitude que não me atrai. No entanto, por mais que o homem acredite que foi ele que conquistou uma mulher, fomos escolhidos primeiro por ela.

 

O que acha da busca delas pela beleza perfeita?

Admiro uma mulher bonita, mas o que mais me atrai são os tipos exóticos, e as de temperamento forte, decididas. Não condeno cirurgia plástica, que pode ajudar a resgatar a autoestima. O problema são os excessos que se vê por aí.

 

O que desencanta você numa mulher?

Quando ela perde a feminilidade, o que não tem a ver com roupa, pois, inclusive, acho legal uma mulher com terninho. Trata-se de atitude. Não há necessidade de seguir padrões masculinos para se impor.

 

 

 

 

O NOVELEIRO E SUAS HELENAS

 

Por Cristiana Vieira

 

Manoel Carlos leva temas do universo feminino para o horário nobre da Rede Globo. No seu terceiro casamento, que já dura 30 anos, ele teve, além da mãe, irmãs e amigas, escritoras como Virgínia Woolf, Katherine Mansfield, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Ligia Fagundes Telles e Hilda Hilst como referências de mulher.

 

As personagens das suas novelas são inspiradas em vidas reais?

São inspiradas e conservam características de pessoas reais, que conviveram ou convivem comigo, mas são trabalhadas na ficção.

 

Você já disse em outras entrevistas que escolheu o nome Helena para muitas das suas personagens por ser forte, mas tem alguma Helena na sua família?

Desde que li o romance de Machado de Assis, que adaptei para a TV nos anos 50, gosto do nome. Mas sempre achei mais nome de personagem do que de pessoa real. Por isso nunca lembrei de dar esse nome a nenhuma das minhas filhas. Na minha família, existe uma única Helena, que tem 10 anos.

 

O que a Helena dos anos 50 tem em comum com a Helena negra do século 21, personagem da sua atual novela "Viver a vida"?

A Helena atual está amparada em características de independência, e não de conformismo. Não por ser negra, que foi circunstancial, mas por ser uma mulher antenada com as conquistas que se somaram nos últimos 50 anos.

 

As jovens de hoje são mais fortes do que as de antigamente?

Criar uma Helena mais jovem era meu desejo há bastante tempo. Queria muito transitar por esse território, tão distante da minha juventude. As jovens de hoje são mais fortes, não apenas por impulso próprio, mas pelos impulsos que a própria sociedade acabou por lhes conceder.

 

Você convive com muitas mulheres em casa?

Há um ano, só com minha mulher, pois a minha filha, solteira, mudou-se para um apartamento na mesma rua.

 

Qual a parte mais difícil na convivência com uma mulher?

Compreender e aceitar sua nova posição na sociedade contemporânea, onde ela convive com o homem em pé de igualdade. Elas não pedem mais nada. Exigem. Não é fácil. Os homens têm know-how de comando. Resistem a uma participação em partes iguais.

 

Você acredita que as mulheres captam as mensagens que transmite nas novelas?

Bem, se considerarmos os comentários que ouço e a indignação que causo em muitas ocasiões, sim, acredito.

 

O que as mulheres do Leblon têm que as outras não têm?

Nunca pensei nas diferenças que possam ter. Nem mesmo acredito muito que elas existam. Até porque as mulheres do Leblon, em sua maioria, não nasceram lá. São pessoas que vieram de outros bairros, atraídas pela qualidade de vida que ainda se tem por aqui. É muita gente de fora do Rio. De São Paulo, por exemplo, em sua maioria. É um bairro com pouco público flutuante. Quem circula por aqui, mora no Leblon. Ao contrário de Copacabana e Ipanema.

 

Mulher tem de ser boazinha ou vilã?

Boazinha e vilã.