PM libera acesso a prédios da USP

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Universidade obteve liminar na Justiça para retirar do local servidores em greve; categoria mantém paralisação

Policiais militares liberaram na manhã de ontem a entrada da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) e de outros sete prédios da Cidade Universitária que estavam bloqueados desde terça-feira da semana passada por funcionários em greve. A movimentação ocorreu de forma pacífica, mas gerou protestos de grupos de estudantes e professores, que repudiaram a presença policial no câmpus, relembrando confrontos ocorridos na USP na época do regime militar.A ação policial ocorreu logo pela manhã, por volta das 8 horas. Também foram liberadas as entradas do prédio da antiga reitoria, da coordenadoria do câmpus, da coordenadoria de assistência social, do centro de práticas esportivas, do Museu de Arte Contemporânea, do Museu de Arqueologia e Etnologia e da creche oeste, todos bloqueados por piquetes de servidores. Por volta das 18h, os policiais deixaram o câmpus. Segundo nota divulgada pela reitoria, a instituição obteve na última quarta-feira na Justiça a reintegração de posse dos prédios, que foi cumprida ontem. "A reitoria reconhece o direito de reivindicação de seus servidores, mas não pode se omitir diante de ações violentas e tumultuosas e tem a responsabilidade de assegurar o pleno funcionamento da universidade", afirma a nota. A reitora Suely Vilela, que desde o início da greve não quis se pronunciar sobre o caso, estava trabalhando em outro edifício do câmpus. O sindicato dos funcionários (Sintusp) chegou a divulgar que a reitora, nos últimos dias, estaria na Espanha, fato negado pela assessoria de imprensa. Após a liberação das entradas, os funcionários permaneceram em frente à reitoria e aprovaram, em assembleia, a continuação da greve, que já dura 27 dias. O Diretório Central dos Estudantes convocou os alunos no período da tarde e da noite a saírem das aulas e se juntarem aos manifestantes. Alguns professores, também em protesto, deram aula nas calçadas, como no caso da Faculdade de Educação. Faixas e cartazes contra a presença da PM foram espalhados pelas unidades. "Não podemos admitir a presença de policiais, estamos voltando ao tempo da ditadura", afirmou Magno de Carvalho, presidente do Sintusp. Segundo ele, a greve vai continuar até que o conselho de reitores (Cruesp) das três universidades estaduais paulistas - USP, Unesp e Unicamp - reabra as negociações. O Sintusp afirma que cerca de 75% dos funcionários estão parados. Para a reitoria, são 10%. O diálogo entre o Fórum das Seis, entidade que reúne representantes sindicais das instituições, e o Cruesp foi suspenso na segunda-feira passada após cerca de 30 estudantes terem invadido o prédio da reitoria e mantido os reitores lá dentro por cerca de quatro horas. Em nota, o Fórum das Seis repudiou a ação, que " representa ato autoritário e intolerável, que atenta contra a democracia, contra a autonomia dos movimentos sociais e da própria universidade e contra o direito de manifestação de trabalhadores e estudantes". Entre as reivindicações está o reajuste salarial de 16%. REIVINDICAÇÕESReajuste: Reposição da inflação de 6,1%, mais reposição de 10% para recuperar perdas históricas, além de R$ 200. Para os funcionários do Centro Paula Souza, a pauta pede reajuste de 10% e recomposição das perdas salariaisDemocratização: A pauta fala em democratização da estrutura administrativa, do funcionamento dos colegiados e da gestão financeira e patrimonial das universidades e do Centro Paula Souza. Ontem, funcionários e grupos de alunos e professores começaram a pedir eleição direta para reitorAutonomia: A lista também fala de defesa da autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial das universidades e do Centro Paula Souza, com revogação dos decretos do governo José Serra que, para eles, ferem a autonomia das universidades estaduais - motivo da greve de 50 dias de 2007Contratações: Pedem contratação por concurso público e revogação das políticas que terceirizam cargos. Pedem garantia da manutenção do emprego dos atuais 5.214 ocupantes de vagas da USP que estão sendo contestadas pelo TCEEnsino a distância: O Fórum das Seis é contra o ensino a distância em todos os níveis educacionais. Eles querem o fim da licenciatura a distância criada neste ano para professores da rede públicaHospitais: Pedem que os hospitais universitários sejam considerados hospitais públicos, revertendo "toda a forma de privatização". Falam em jornada de 30 horas para funcionários da área da saúdeLicença-prêmio: Pedem o restabelecimento do direito de licença-prêmio aos celetistasPermanência estudantil: Querem dotação orçamentária específica para políticas de acesso e permanência estudantil e sua ampliação nas universidades estaduais e no Centro Paula Souza e construção de moradia estudantil e restaurante universitário em todos os câmpus das universidades estaduais paulistasA proposta do Cruesp: A USP ofereceu aos seus funcionários reajuste de 16% nos benefícios, como auxílio-alimentação. O Cruesp ofereceu 6,05% de reajuste salarial que incidirá sobre os vencimentos de maio