Planeta mais parecido com a Terra é descoberto

Herton Escobar - O Estado de S.Paulo

Ele é o menor dos que já foram identificados fora do sistema solar

Astrônomos europeus anunciaram ontem a descoberta do menor planeta já identificado fora do sistema solar. Registrado como Gliese 581e, o novo astro tem aproximadamente duas vezes a massa da Terra. Ele integra um sistema de quatro planetas que giram em torno de uma pequena estrela na constelação de Libra, a 20 anos-luz de distância do nosso sistema solar.Segundo os cientistas, o planeta está próximo demais de sua estrela para abrigar vida. Mas só o fato de ele ter sido descoberto já representa um marco na busca por planetas extrassolares (também chamados exoplanetas). "É um achado surpreendente", elogiou o astrônomo brasileiro Augusto Damineli, do Instituto de Astronomia (IAG) da Universidade de São Paulo (USP).Mais de 340 exoplanetas já foram descobertos, mas quase todos são gigantes gasosos como Júpiter ou Saturno, com possibilidades quase nulas de abrigar vida. O grande desafio é achar planetas pequenos e rochosos, como Terra ou Marte, nos quais a vida tenha melhores chances para se desenvolver.O "tamanho" mínimo estimado para o Gliese 581e é de 1,9 vez a massa da Terra (em astronomia o que importa não é o diâmetro de um astro, mas a quantidade de massa que ele contém, porque é isso que determina sua força gravitacional). Isso faz dele o exoplaneta de menor massa já descoberto.Para alguém que vivesse na superfície do Gliese 581e, o ano no calendário teria apenas três dias. Esse é o tempo que o planeta leva para completar uma volta em torno de sua estrela (comparado aos 365 dias de uma órbita da Terra em torno do Sol). Isso indica que ele está muito próximo da estrela e provavelmente é quente demais para a vida como a conhecemos.Os três irmãos maiores do Gliese 581e já eram conhecidos. Pelos menos dois são também rochosos. Em termos de habitabilidade, o mais promissor é o mais distante dos quatro: o Gliese 581d, cuja órbita acaba de ser recalculada. Segundo os cientistas, ele é o único que está dentro da chamada "zona habitável", a uma distância da estrela que permite haver água líquida na superfície. Seu período orbital é de 66,8 dias.O Gliese 581d é o que os astrônomos chamam de "superterra": ele tem sete vezes a massa da Terra - bem maior do que o nosso planeta, mas ainda pequeno demais para acumular gases e se tornar um gigante gasoso como Júpiter. "As superterras são incrivelmente favoráveis à vida, mais até do que a própria Terra", diz Damineli. Por serem maiores, explica, elas possuem mais calor interno e mais atividade tectônica, o que mantém a temperatura na superfície mais estável.Infelizmente, os dados não permitem especular se há mesmo água no planeta, muito menos vida. Os planetas foram detectados por medições indiretas (mais informações nesta página). O estudo foi feito pela Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul com o observatório de La Silla, no Chile. Os dados serão publicados na revista Astronomy & Astrophysics.