Piquete de funcionários bloqueia reitoria da USP

Simone Iwasso e Tatiana Fávaro - O Estado de S.Paulo

Após invasão de alunos, manifestantes em greve fecharam entradas do prédio por tempo indeterminado; administração foi para outro local

Em greve desde o início do mês, funcionários da Universidade de São Paulo (USP) bloquearam ontem as entradas do prédio da reitoria da instituição e permaneceram no local durante todo o dia. O objetivo do grupo, segundo o sindicato dos funcionários (Sintusp), é ficar no local, impedindo a entrada, até o fim da paralisação. A reitora Suely Vilela e funcionários não chegaram a entrar. Foram deslocados para outro edifício do câmpus na manhã de ontem. O fechamento da reitoria a longo prazo pode prejudicar o andamento de diversas ações administrativas da universidade, como pagamento de salários, aprovação de editais, autorização de férias e mesmo emissão de diplomas. Fato semelhante aconteceu em 2007 quando estudantes mantiveram o prédio ocupado por 50 dias. "Estamos convocando mais funcionários e não vamos sair enquanto a greve durar. Ninguém vai entrar no prédio", afirmou o presidente do Sintusp, Magno Carvalho. Ele coordenou um piquete durante a tarde de ontem no local - houve distribuição de lanches e música para os manifestantes. Procurada pela reportagem, a reitora afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se pronunciaria sobre o ocorrido ontem. Ela também se recusou a comentar a invasão de alunos por quatro horas no prédio, ocorrida na segunda-feira após desentendimento. A pauta de reivindicações do Fórum das Seis, entidade representativa de funcionários, professores e alunos da USP, Unesp e Unicamp, inclui reposição da inflação dos últimos 12 meses , estimada em 6%, mais 10% de aumento salarial e uma parcela fixa de R$ 200. Eles também pedem uma política salarial para o Centro Paula Souza, que administra o ensino técnico do Estado. Outras reivindicações são contratações por concurso público, políticas de permanência estudantil, creche para filhos de funcionários e estudantes e o fim do curso a distância aberto pela primeira vez neste ano para formação de professores da rede pública. Alunos farão uma assembleia geral hoje para decidir se entram em greve. O sindicato dos professores decidiu por uma paralisação de um dia na terça-feira. Na Unicamp, funcionários decidiram entrar em greve a partir de hoje. A rodada de negociações com o conselho de reitores (Cruesp) prevista para segunda-feira foi suspensa após a invasão dos alunos e até o momento não foi retomada. O Cruesp responsabiliza o Fórum das Seis pela suspensão da negociação e pelo incentivo à invasão.