PF localiza falsa droga antileucemia

Marcelo Auler, RIO - O Estado de S.Paulo

Lote adulterado de Glivec, da Novartis, foi apreendido em Vitória e Porto Alegre; distribuidoras do Rio foram fechadas

Um lote falsificado do remédio Glivec, medicamento essencial à sobrevida dos portadores de leucemia, foi identificado na semana passada em uma clínica de Vitória (ES) e numa distribuidora de medicamentos de Porto Alegre (RS). Ontem, a Polícia Federal e a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditaram no Rio as distribuidoras de remédio OnConeo Comércio Produtos Médicos Hospitalares Ltda. e a Nova Vitória Distribuidora de Medicamentos, que teriam sido responsáveis pela remessa dos medicamentos falsificados à clínica capixaba. Segundo o delegado federal Hilton Coelho, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio, o uso do medicamento falsificado pode levar os pacientes com leucemia à morte. O lote identificado como falso em Porto Alegre e em Vitória é o Z 0047. No comprimido verdadeiro estão impressas algumas letras. O falsificado é liso. A cartela que contém os comprimidos (blister) verdadeiros não é brilhante, enquanto as que embalam os comprimidos falsos foram fabricadas em papel alumínio mais brilhoso. O delegado Coelho informou que não foram encontrados os medicamentos falsificados nas buscas realizadas ontem em três endereços. Mas diversas irregularidades nas duas distribuidoras levaram a Anvisa a interditá-las. Na Nova Vitória, cujo escritório fica no Largo de São Francisco, no centro da cidade, uma quantidade grande de remédios foi apreendia para que a Anvisa analise se estão regulares ou não. No mesmo endereço funciona a New Victory II, de propriedade de Miguel Anjos Santos Jacob. Ele saiu da sociedade da Nova Vitória, que permaneceu em nome de familiares. VIA CORREIO A notícia dos remédios falsos foi dada pela Anvisa na semana passada à PF. Os medicamentos que chegaram a Porto Alegre partiram da Primus Importadora e Exportadora, que fica na cidade paulista de Barueri. Os recebidos pela clínica no Espírito Santo foram enviados por correio pela Nova Vitória, mas a encomenda tinha sido feita à OnConeo, cujas lojas situadas em shopping de Copacabana também foram interditadas. Na operação de ontem, a PF apreendeu grande quantidade de documentos e computadores. Agora, segundo o delegado, será feita uma investigação para descobrir onde os remédios falsificados foram fabricados. O Glivec é produzido pelo laboratório Novartis Biociência S.A., uma multinacional suíça com sede em São Paulo. Ele só pode ser vendido a clínicas e hospitais pelo fabricante ou por distribuidoras de medicamentos. Uma caixa com 30 comprimidos pode custar de R$ 6 mil a R$ 8 mil.