''''Pessoas comuns fazendo educação sem custo''''

Maria Rehder, Jornal da Tarde - O Estado de S.Paulo

Maurício Curi: um dos criadores do portal Wikiducação[br]Idealizador de site em que todos podem contribuir e capturar informações sobre educação fala sobre formação na era digital

Chamar a sociedade para construir o conteúdo a ser oferecido na educação básica das escolas de todo o País é a meta do Wikiducação, um movimento criado no fim do ano passado por diferentes membros da sociedade civil e da iniciativa privada. Por meio do site www.wikiducação.com.br, a iniciativa oferece a possibilidade de criar e compartilhar conteúdos educativos gratuitamente. Um dos idealizadores do movimento, Maurício Curi, CEO da Educartis, empresa de conteúdo digital, faz críticas ao modelo de educação atual adotado no País.O que é o Wikiducação? O Wikiducação surgiu a partir da indignação de diferentes membros da sociedade em relação à situação da educação. O Brasil nunca passou por um problema tão sério de falta de capital humano. As oportunidades de trabalho existem, mas não existem pessoas para ocuparem essas vagas. Esse é o primeiro indicador de que todo o processo educacional está quebrado. E não é passando horas confinado na sala de aula que o aluno vai se motivar a aprender. O Wikiducação pode mudar essa realidade?O professor ou qualquer pessoa que quiser contribuir é submetido a um processo de formação virtual para poder se habilitar para a criação e a publicação de conteúdo virtual.Mas não há controle do conteúdo?Nossa idéia é pegar pessoas comuns, não há custo algum para a publicação ou obtenção de material. É daí que nasce o conceito da Wikiducação, que é educar colaborativamente. Mas temos profissionais especializados que atuam como editores responsáveis em criar ordem em todo o processo.Vocês têm uma meta? A idéia é cobrir todo o conteúdo do ensino básico proposto pelo MEC em dois anos. Queremos ter esse conteúdo feito por pessoas comuns e de forma colaborativa.Mas não é preciso investir nas escolas, nos professores? Hoje a educação movimenta cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e extra-oficialmente 10%, se levarmos em conta os gastos dos pais com cursos para os filhos, compras de livros, entre outros. O problema é a gestão desse investimento direcionado para a educação tradicional.