Pesquisador diz que prática é medieval; primeiro registro foi em 1342, em Paris

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

O primeiro registro de trote universitário data de 1342, na Universidade de Paris. Em 1491, documentos da Universidade Heidelberg, na Alemanha, descrevem que calouros tinham o rosto esfolado, eram obrigados a comer fezes de animais, beber vinho com urina e, no fim do processo, faziam um juramento prometendo repetir as mesmas práticas no ano seguinte com os novos alunos. Na Inglaterra, para ser aceito pelos veteranos era preciso fazer um discurso nu em cima de uma mesa. Na Espanha, que tentou proibir o trote em 1783, calouros eram submetidos a tortura física. "A prática continua a mesma e ainda não foi interditada. É tão antiga, tão medieval e continua sendo praticada", analisa o psicólogo Antonio Zunin, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de São Carlos e autor do livro O Trote na Universidade - Passagens de um Rito de Iniciação (Editora Cortez). "O trote está inserido numa relação de soberba intelectual com práticas de integração sadomasoquista. O aluno se vinga da humilhação que sofre de professores durante o ano no aluno que acabou de entrar", continua. "Ele aceita os abusos por medo de não ser integrado à vida universitária e sabendo que vai poder praticá-los no ano seguinte." No ano passado, um calouro de Comunicação da Uninove apanhou porque se recusou a participar do trote. Ele acabou abandonando a ideia de cursar a faculdade.