Personagem: o homem-barbinha

Felipe Machado - O Estado de S.Paulo

Há vários homens-barbinha: do revolucionário contra tudo ao barbinha corporativo, o rebelde de terninho

O estilo deles é variado, mas os pêlos do rosto cuidadosamente aparados são bem parecidos. Alguns usam calças Diesel, outros compram roupas em brechós da Rua Augusta. Mas alguma coisa eles têm em comum: são os homens-barbinha.O homem-barbinha é um cara que pode ser tanto um intelectual (metido a francês) quanto um jogador de futebol (metido a fashion). A barbinha, ao contrário do que possa parecer, não é ideológica: é apenas uma sujeirinha no rosto para ocultar possíveis (im)perfeições.Não o subestime: o homem-barbinha é antenado e supervaidoso. Aquela penugem não está lá porque o cara estava sem paciência para fazer a barba (como é o meu caso, nos fins de semana), mas porque quer dizer algo como: "não estou nem aí... mas pensando bem, estou, sim". O estilo milimetricamente desencanado é o núcleo do DNA do homem-barbinha. Há vários estilos de homem-barbinha. Temos o clássico, o estudante-de-cinema-iraniano-fã-de-Che-Guevara-e-anti-globalização que dispensa apresentações. É contra tudo e contra todos, portanto, também é contra as lâminas de barbear. "Fazer a barba é coisa de burguês", ataca. O sonho da barba dele é crescer e virar o Osama bin Laden.Do outro lado do ringue está o homem-barbinha-corporativo. Ele usa terno, admite que se vendeu ao sistema, mas diz para todo mundo que "a liberdade não tem preço". Ao contrário do homem-barbinha-estudante-de-cinema, que pega ônibus e metrô, seu meio de transporte favorito é uma moto modelo vintage 1957 da Harley-Davidson, o que prova que, sim, a liberdade tem preço. E é alto.Também há tipos menos ortodoxos de homem-barbinha. O gay-barbinha, por exemplo. Não conhece? Então preste mais atenção nos videoclipes de George Michael. Dizem que existem até mulheres-barbinha, mas essas são difíceis de encontrar. Elas só se apresentam em pequenos circos no interior ou em salas de estar de clínicas de disfunção hormonal.Há, enfim, o homem-barbinha-neutro. Ele simplesmente esqueceu de se barbear um dia e pronto: os pêlos cresceram e aquilo virou uma barba. E ele nunca mais pensou no assunto.