Pequenos ambientalistas

- O Estado de S.Paulo

Crianças aprendem a cuidar da natureza na escola e levam conceitos para casa

O engajado Lucas Couto, de 9 anos, estudante do Colégio Elvira Brandão, não espera o futuro chegar para dar sua contribuição para o bem-estar do planeta. Depois de o colégio ter implementado um projeto de conscientização sobre o meio ambiente, Lucas criou coragem e sugeriu à síndica do prédio onde mora que fizessem coleta seletiva do lixo.O plano ainda não se concretizou por causa de algumas burocracias. Lucas, a mãe e a síndica negociam o recolhimento do lixo com algumas empresas de reciclagem. Em breve, outras crianças do prédio serão escaladas para conscientizar todos os moradores sobre a importância da ação. Enquanto isso, Lucas se sente importante por ter sido levado a sério e ter feito diferença.A educação para o meio ambiente deve começar desde os primeiros anos. Coordenadora pedagógica do Elvira Brandão, Maria Lúcia Severo Leite diz que as crianças aprendem melhor com os bons exemplos. ´Não adianta falar que o certo é escovar os dentes com a torneira fechada. É preciso que os pais escovem os dentes com a torneira fechada´, explica Maria Lúcia.Gerações recentes, segundo a coordenadora, estão mais cuidadosas com a natureza. Não é raro a criança receber as lições na escola e educar - ou até mesmo dar algumas broncas - nos pais em casa.Lucas, por exemplo, não se limita a elaborar seu projeto de coleta seletiva do lixo. Quando a mãe, Cristiane Leão, de 32, demora um pouco no banho, ele começa a bater na porta do banheiro para chamar a atenção dela. ´Lucas é do tipo que quer salvar o mundo´, admite Cristiane, que também se considera defensora do meio ambiente.Para Maria Lúcia, o ideal é passar os conceitos ecologicamente corretos no ambiente onde as ações são praticadas. Na praia, por exemplo, é preciso mostrar que o lixo deve ir para o lixo. Para mostrar que a água não deve ser desperdiçada, é interessante escovar os dentes ao lado da criança. A lição se torna mais fácil.A construção de um cidadão ecologicamente correto também depende da escola. Coordenadora do Projeto Agenda 21 - baseado no programa de ação resultante da Eco-92 que pregava a adoção do desenvolvimento sustentável - da Escola Stance Dual, Débora Moreira acha que a conscientização dos jovens depende do lugar onde eles são educados. ´Eles podem levar essa conscientização para a família e para as empresas onde irão trabalhar. E certamente irão fazer de forma consciente, saberão do que estão falando´, acredita Débora.Gerações anteriores não foram educadas para a conscientização, mas ambientalistas desconfiam que o planeta ainda tem jeito. As crianças, pelo jeito, têm certeza.