Pela 1ª vez, camundongo é infectado com resfriado

AFP - O Estado de S.Paulo

Cientistas do Imperial College de Londres conseguiram, pela primeira vez, fazer com que camundongos ficassem resfriados. O fato aparentemente prosaico é um importante passo para que uma terapia para essa doença, até hoje intratável, possa ser afinal desenvolvida.Apenas humanos e chimpanzés são normalmente vulneráveis aos cerca de cem vírus que causam o resfriado. Esse é um dos motivos que impediam o desenvolvimento de remédios eficazes. Era importante estender o quadro para os roedores, pois eles são o principal modelo animal usado para experimentar drogas e estratégias de saúde. O animal em questão é geneticamente modificado. Alguns de seus genes foram alterados para que as células do sistema respiratório apresentem uma versão humana da proteína receptora Icam-1, que permite então a infecção pelos vírus. Os detalhes foram publicados nesta semana pela revista científica Nature Medicine (www.nature.com/nm)."Sabíamos que, uma vez dentro da célula do camundongo, um rinovírus se reproduziria com a mesma facilidade de quando está em humanos", explica o principal autor do estudo, o virologista Sebastian Johnston. "Até agora, o vírus não podia infectar a célula porque o receptor, que atua como uma espécie de chave, não o deixava entrar", completou.ESPERANÇAA revista destaca o estudo com otimismo, assim como as publicações britânicas The Guardian e The Independent.Para a maioria das pessoas, os sintomas se resumem a sensações incômodas, provocadas por tosse, nariz entupido e dores no corpo e na garganta por alguns dias. Porém, o resfriado é potencialmente letal para pessoas com problemas respiratórios, como asma e enfisema, e podem provocar a internação de bebês e pacientes com sistema imunológico frágil.A busca por uma cura para o resfriado já tomou cinco décadas. Um exemplo é uma unidade criada pelo Conselho de Pesquisa Médica da Grã-Bretanha, em 1946, para procurar alternativas pelo estudo do catarro. Ela foi encerrada em 1989 sem resultados promissores.