Para fugir do vício, ortopedista vira geriatra

- O Estado de S.Paulo

A droga era fácil de conseguir. Barata, tinha efeitos rápidos e, afinal de contas, ele era médico. Que mal teria? Esse foi o início do caminho que levou o ex-ortopedista R.R., de 32 anos, a um leito de UTI, após uma overdose de opiáceo. O primeiro contato com a droga foi quando se recuperava de um acidente de moto. As dores no joelho eram aliviadas com um medicamento administrado por seu médico. Dava certo. Um ano depois, o joelho estava ótimo, R.R, no entanto, já estava viciado. Trabalhando em vários prontos-socorros da região de Campinas, no interior do Estado, o acesso era garantido. Se fosse preciso, roubava. "Com o passar do tempo você perde a noção", diz. "Cheguei a usar até quatro ampolas em um só dia". Cada uma delas, com 2 mililitros, é suficiente para aliviar a dor de pacientes com traumas ou dores oncológicas, por exemplo. Após a segunda overdose, durante um plantão, R.R, foi encaminhado para o Uniad. "Fiquei alucinado no meio do hospital", diz. Há um ano, não se droga e tenta reconstruir a vida. "O pior de tudo é o sofrimento que você causa para sua família", diz. Hoje, a ortopedia faz parte do passado. "Me afastei de tudo e resolvi seguir a área da geriatria, pois é mais tranqüila para mim".