Papai Noel em cada um

Ciça Vallerio - O Estado de S.Paulo

Muitos empenham-se para oferecer um Natal mais digno a parte da população carente

O Natal inspira solidariedade. Apesar do corre-corre desta época do ano, há quem coloque em prática o espírito natalino. São pessoas que buscam ajudar quem não tem casa, família, amigos, alimento, muito menos condição financeira para celebrar alguma coisa. Os voluntários abrem espaço na agenda atribulada para organizar um grupo e presentear crianças carentes, ajudar a preparar uma ceia decente para moradores de rua, dar carinho a idosos enfermos e abandonados em asilos, juntar amigos para cantar em entidades assistenciais e por aí vai.   Veja também: Diversão para a garotada Natal em família Moradores de rua "Neste mês, muita gente sente a necessidade de fazer alguma coisa", diz Anísia Villas-Boas Sukadolnik, uma das diretoras do Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP). "É o momento em que nos procuram, inclusive empresas, pedindo orientação para se engajarem em um trabalho solidário. Mas existem aqueles que vão direto à instituição próxima do bairro onde moram para oferecer seus préstimos." Parece fácil, mas não é. Muitos não sabem sequer como podem ajudar. Assim, nasceu o CVSP, para orientar quem deseja se tornar voluntário não apenas no Natal, mas durante o ano inteiro. Esses representantes da sociedade civil constataram, por meio de pesquisas, que o brasileiro tem um enorme potencial de mobilização, mas que ainda está sub-aproveitado. Hoje, existem cerca de 450 organizações sociais cadastradas, em busca de voluntários. Não qualquer um. Buscam pessoas que assumam o trabalho de maneira responsável, com assiduidade e seriedade. Por isso, o CVSP oferece palestras gratuitas, que duram apenas duas horas e são realizadas no prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na Avenida Paulista. A idéia é orientar os aspirantes ao trabalho voluntário responsável e participativo. No final, cada participante recebe um certificado e aprende a buscar uma instituição, cujo programa melhor se adapte às suas expectativas. "Quem deseja ajudar e acha que não dá mais tempo para se inscrever no CVSP pode ficar atento ao próprio cotidiano. Muitas vezes, há alguém próximo, uma vizinha, um morador de rua que freqüente determinado local, ou até mesmo uma pessoa da família que precisa de ajuda ou simplesmente de carinho, atenção ou algo para se alimentar. Esta é uma forma também de desenvolver a cidadania."Histórias emocionantes não faltam. Conheça algumas e inspire-se neste fim de ano.