Papa pede respeito às raízes cristãs

Leda Balbino, AMÃ - O Estado de S.Paulo

Bento XVI quer que a pequena comunidade católica no Oriente Médio dialogue com pessoas de outros credos

No último dia de sua viagem à Jordânia, o papa Bento XVI dirigiu-se ontem à minoritária comunidade cristã do Oriente Médio para encorajá-la a perseverar e preservar suas tradições e fé na região onde nasceu o cristianismo, há mais de 2 mil anos. "As famílias cristãs daqui são um legado de gerações passadas. Que elas sejam fiéis a essa herança impressionante", declarou o pontífice perante cerca de 20 mil pessoas durante uma missa no Estádio Internacional de Amã. Ao pedir fidelidade às raízes cristãs, o papa convidou os cristãos a dialogar e trabalhar com pessoas de outros credos e a "construir novas pontes para possibilitar um encontro frutífero de diferentes religiões e culturas". "Que vocês mantenham diariamente os esforços de prestar testemunho à fé cristã e de manter a presença da Igreja no tecido social em transformação da região", declarou.O pronunciamento do papa expôs a preocupação do Vaticano com o acelerado êxodo de cristãos do Oriente Médio, motivado pelos conflitos regionais e por dificuldades econômicas. Nos últimos 20 anos, 2 milhões de cristãos deixaram a região.Feliz em poder acompanhar pessoalmente a missa do papa, a monja argentina Mariam Fatme concordou com as palavras do pontífice. "Sua visita à Jordânia é um consolo para os poucos cristãos de uma região tão afetada por conflitos", afirmou, empunhando uma bandeira de seu país natal.No Egito desde fevereiro para estudar árabe, Mariam deve se mudar para a Jordânia em 2010, para viver em um monastério em Betânia, na margem esquerda do Rio Jordão, onde os cristãos acreditam que Cristo foi batizado. O monastério fará parte de um santuário em formato de cruz que será construído na área e em cujo centro se localizará uma igreja católica. Após a missa, Bento XVI visitou Betânia e abençoou a pedra inaugural da igreja. FESTAMuita expectativa antecedeu a chegada de Bento XVI ao estádio, principalmente para cerca de 200 crianças que receberiam a primeira comunhão do pontífice. "Será um momento único, que ficará em suas memórias para sempre", afirmou a professora Hannan Deeb.Hannan acompanhou ao estádio 28 crianças de uma escola de Amã, que tiveram de acordar cedo para a cerimônia. "Estou cansada. Acordei às 4 horas, a missa só começa às 10 horas e não posso sentar porque a cadeira está úmida", disse, fazendo troça, Rozan Shab, de 8 anos. Outros tinham grandes expectativas para o encontro com o papa. "Queria que ele me desse um presente. Podia ser o relógio dele", comentou Basil Msharbash, de 9 anos.Bento XVI chegou ao estádio no papamóvel, acenando aos fiéis por meio da janela aberta do veículo à prova de balas. A multidão o saudou fervorosamente, balançando bandeiras da Jordânia, Iraque, Líbano, Egito e Síria. Hoje o papa continua sua peregrinação na Terra Santa com uma viagem de quatro dias a Israel e territórios palestinos. A repórter viajou a convite da Jordan Tourism BoardFRASESBento XVIPapa"Que vocês mantenham os esforços de prestar testemunho à fé cristã e a presença da Igreja no tecido social em transformação da região"Mariam FatmeMonja argentina"Sua visita é um consolo para os poucos cristãos de uma região tão afetada por conflitos"