Pandemia atingiria 2 bilhões, diz OMS

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

Acusada de alarmismo, entidade diz que é preciso se preparar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que uma pandemia de gripe suína seria capaz de atingir um terço da população mundial: cerca de 2 bilhões de pessoas. O órgão também alerta que um vírus suave para os países ricos pode ter repercussões severas para os países pobres. A entidade deixa claro que não se trata de previsão exata do número final de pessoas infectadas. Estima que esse seria o potencial da doença.O fato de poder atingir 30% da população mundial não significa que ela seria severa para a maioria das pessoas. "Esse número é uma estimativa razoável do que uma pandemia pode causar, levando em conta as experiências do passado", afirmou Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS. Por enquanto, o boletim oficial mais recente da entidade segue registrando aumento nos casos. Até a tarde de ontem, a OMS somou 2.371 casos de contaminação pelo vírus em 24 países - o número deve passar para pelo menos 26 nações no próximo boletim, com a inclusão de Brasil e Argentina. Neste país, o único caso confirmado é o de um advogado da Patagônia que ficou isolado por dias e teve alta ontem.PRIORIDADEPor ano, a gripe sazonal mata de 250 mil a 500 mil pessoas. Mesmo assim, não figura entre as prioridades da OMS. A polêmica de números se confunde com a forma de trabalhar da entidade. Durante a gripe aviária, os primeiros números apontaram que 150 milhões de pessoas poderiam ser atingidas. Esse número rapidamente caiu para 2,4 milhões. No final das contas, não chegou a 500. Desta vez, a OMS voltou a ser acusada de alarmismo.Mas Fukuda insistiu que a atenção dada ao novo vírus se baseia no fato de que ninguém sabe o que vai ocorrer. "Assim como eu disse há duas semanas, continuamos sem saber qual será o futuro. A maioria dos casos está concentrada na América do Norte. Mas a questão é o que irá ocorrer quando o inverno chegar ao Hemisfério Sul e o vírus começar a migrar?", questionou. "Nossa obrigação é dizer às pessoas que se preparem", disse Fukuda. O vice-diretor da OMS admite que, mesmo numa pandemia, a maioria dos infectados não deve ter mais do que uma gripe suave. COLABOROU ARIEL PALACIOS