País tem 36 novos casos de gripe suína

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Para diretor do Emílio Ribas, David Uip, morte no Brasil já era esperada

A confirmação da primeira morte por gripe suína no País é um fato triste, mas esperado, afirma o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip. "Quanto maior o número de casos registrados da doença, maior o risco de termos um paciente que não responde bem ao tratamento. Foi isso o que ocorreu", completou. Ontem, o Ministério da Saúde confirmou mais 36 pacientes com a infecção, subindo para 627 o número de casos confirmados. Há ainda outras 477 notificações sendo investigadas.A evolução da doença no País, na avaliação de Uip, segue um caminho bastante positivo. "O alerta da OMS foi feito há dois meses e a doença se mantém controlada", disse. Dos casos até agora investigados, 75% foram de pessoas que haviam viajado para o exterior. O restante é composto por pessoas que tiveram contato com pacientes que viajaram.Ao anunciar o primeiro óbito no País por gripe suína, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi enfático ao dizer que o combate à doença não muda e que a população pode ficar tranquila. A mortalidade do A(H1N1), vírus que provoca a gripe suína, é estimada em 0,4%, nível considerado baixo. Além disso, ao longo dos dois meses, não houve sinais da mutação - a preocupação de autoridades sanitárias mundiais. Apesar de o quadro não ser tão grave como se previa quando os primeiros casos no mundo foram registrados, a mobilização deve continuar. "Não há como fazer previsões do que pode ocorrer. A prudência determina que a observação e a tentativa de controle da doença sejam mantidas", completou Uip.O diretor do departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, afirma que as atenções para o comportamento da doença deverão ser mantidas durante todo o ciclo de gripe no Hemisfério Sul e do próximo ciclo de gripe no Hemisfério Norte. "Somente então poderemos nos certificar se o risco para a mutação do vírus é realmente muito pequeno", completou. Com o aumento do número de casos e a constatação de que a maior parte dos pacientes infectados apresenta um quadro leve da doença, o Ministério da Saúde alterou, semana passada, a forma de diagnóstico e tratamento da gripe suína. O uso do oseltamivir, o remédio indicado para o tratamento da doença, foi restrito para casos graves e o teste para identificação do vírus será dispensado em alguns casos. Preocupado com o fechamento de escolas e prédios, o ministério também recomendou que essa medida fosse adotada somente com a anuência da vigilância sanitária local. Ontem, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), visitou o Gabinete Integrado de Emergência para Influenza A, no centro do Rio, e se reuniu com os secretários de saúde municipal e estadual. "Acho que não há necessidade de algumas medidas que temos visto. Colégios particulares parando aulas; empresas fechando", afirmou. COLABOROU ALESSANDRA SARAIVASAIBA MAISQuais são os sintomas da nova gripe? Febre acima de 37,5ºC, tosse ou dor de garganta acompanhadas ou não de dores de cabeça, musculares, nas articulações e dificuldade respiratória, por um período de até dez dias após sair de país afetado pelo vírus A(H1N1) ou ter histórico de contato com um caso suspeito nos últimos dez dias O que fazer se houver suspeita de contaminação? Busque um serviço de saúde no site www.saude.gov.br. Há hospitais de referência em todos os Estados do País com atendimento especializado. Cubra sempre a boca e o nariz ao tossir e espirrar e lave bem as mãos Deve-se evitar viajar para países que tenham casos? Governo sugere adiar viagem ao Chile e Argentina, medida que contraria a OMS. A lista de países afetados está em www.saude.gov.br