País tem 1º caso local de gripe suína

Talita Figueiredo, RIO - O Estado de S.Paulo

Amigo de carioca que havia sido contaminado em viagem ao México também contraiu o vírus A(H1N1)

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou ontem à noite o primeiro caso de transmissão do vírus influenza A(H1N1) no País, que foi registrado no Rio. Também foi confirmado um novo caso de infecção em Santa Catarina, elevando para seis os pacientes diagnosticados no Brasil. Outros 30 suspeitos estão sendo monitorados em 10 Estados. Confira o mapa com a distribuição dos casos Acompanhe o noticiário sobre a gripe Tire duas dúvidas sobre o vírus A(H1N1)Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 25 países registraram pessoas infectadas até agora.Mesmo com a confirmação do primeiro caso de transmissão entre pessoas no País, o ministro afirmou que não há risco de epidemia porque houve "uma transmissão limitada", sem contágio para terceiros. Ele disse ainda que não haverá mudanças na estratégia do governo de acompanhamento da evolução da doença. O Brasil é, segundo Temporão, o sétimo país com registro de "transmissão autóctone".O caso de Florianópolis é de uma criança de 7 anos, que manifestou os sintomas em 2 de maio, ainda na Flórida (EUA). Ao chegar ao Brasil, no dia 3, foi internada, tratada e recebeu alta ontem. O novo caso no Rio é de um homem de 29 anos, amigo do paciente de 21 anos que está internado desde terça-feira no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. O jovem de 21 anos chegou do México no último sábado. Os amigos se encontraram no domingo. Na quarta-feira, o homem de 29 anos apresentou febre, dores no corpo e na cabeça e congestão nasal, sendo internado na mesma unidade onde seu amigo estava desde o dia anterior. Os dois estão isolados em quartos separados, onde permanecem por dez dias, tempo que dura o ciclo do vírus.As visitas aos pacientes não estão autorizadas e o contato é permitido apenas aos profissionais de saúde, mas o primeiro paciente usa um rádio para se comunicar com a família e chegou a dar uma entrevista ao jornal Extra, do Rio. De acordo com o chefe do Serviço de Epidemiologia e Avaliação do Hospital Universitário, Roberto Fiszman, eles não apresentam febre e tomaram a medicação para combater o vírus apenas nas primeiras 48 horas.No Rio, 108 pessoas que tiveram contato com os dois pacientes estão sendo monitoradas pela Vigilância Epidemiológica, mas nenhuma delas apresenta os sintomas da doença. "O monitoramento é diário e a orientação é para que as pessoas fiquem em casa, em quarentena voluntária", disse Temporão. Ontem, apesar da movimentação dos jornalistas na frente do hospital da UFRJ, a rotina foi normal. Funcionários chegaram a colocar máscaras, mas logo depois as retiraram. "Foi um erro de comunicação. O único que deve usar máscara é a pessoa que está com os sintomas da gripe. Não há motivos para a população ou mesmo funcionários usarem", disse o chefe do Serviço de Epidemiologia do Hospital Universitário.Médicos que não quiseram se identificar afirmaram que o local para o isolamento dos pacientes foi montado rapidamente com todos os recursos e materiais necessários. No entanto, nas demais unidades do hospital a situação ainda seria caótica. Procurada, a direção do hospital negou.