País fica isolado ao recusar fundo contra desmate

Cristina Amorim, BALI - O Estado de S.Paulo

Delegação norueguesa rebate posição brasileira e diz que é preciso incluir tema em acordo pós-Kyoto

O Brasil ficou ontem isolado em seu posicionamento sobre como o desmatamento evitado deve ser tratado em um futuro regime de combate ao aquecimento global. Na 13ª Conferência do Clima (COP-13), que acontece na Indonésia, o País reafirmou que plano brasileiro não prevê o recebimento de um pagamento prévio em troca da garantia de que haverá redução do desmatamento.Já a maioria das demais delegações e organizações sociais sinalizou que o caminho é justamente adotar algum mecanismo de mercado, um fundo internacional ou um sistema híbrido para que os países em desenvolvimento parem de derrubar."Depois de dois anos de discussão, nós ainda vemos um número de questões sem solução. Uma das mais complexas, na visão do Brasil, é a necessidade de vinculação a um mercado para garantir fluxo de dinheiro consistente e suficiente que apóie ações de redução das emissões (decorrentes) do desmatamento", disse a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, como representante da delegação brasileira. "A idéia de ligar a discussão desse tema na convenção do clima para um regime pós-2012 é prematura."A Noruega respondeu logo em seguida. "O desmatamento em países em desenvolvimento contribui com até 20% das emissões de gases-estufa. Um mandato sobre o regime pós-2012 deve incluir uma regulação dessas emissões", argumentou o delegado norueguês. Nos corredores da conferência, há a expectativa de que o governo norueguês anuncie um vultoso investimento em projetos de combate ao desmatamento.O Brasil está atualmente entre os principais emissores globais de gases-estufa por causa do desmatamento e das queimadas, que respondem por cerca de 75% da contribuição brasileira.A conferência tem a intenção de construir um caminho para estabelecer cortes maiores nas emissões. O Protocolo de Kyoto determina um índice de apenas 5,2% em média, em relação aos índices de 1990. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), é preciso muito mais do que isso.COMPROMISSOHá pelo menos oito tentativas de criação de mecanismos em discussão na conferência, segundo a organização ambientalista Greenpeace. Entre elas está uma elaborada pela própria ONG, divulgada ontem a um auditório lotado. A idéia é levantar recursos, sob as regras da Convenção do Clima, que possam ser aplicados em ações que evitem o corte de florestas. Em contrapartida, os países candidatos precisariam demonstrar "comprometimento nacional".