Pais e professores aprovam coleção criticada

Elisangela Roxo - O Estado de S.Paulo

?Nova História Crítica? proporciona visões diferentes do passado e leva a debates saudáveis

Para pais de alunos e professores de escolas que adotam a coleção Nova História Crítica, de Mário Schmidt, ouvidos pela reportagem do Estado, não há nada de errado na obra. Eles afirmam que o livro não é o elemento mais importante das aulas e acreditam que o material faz as crianças terem contato com visões diferentes da história. A professora da disciplina na Escola Municipal João Domingues Sampaio, na Vila Maria, zona norte de São Paulo, Edna Maria Marino, não vê problemas no material didático. Em sua opinião, Schmidt produziu um livro "plural", que mostra outros lados. "Poderia ser uma das minhas primeiras opções para o ano que vem, se não tivesse saído da lista de recomendação do MEC", diz. Para Edna, é difícil trabalhar a leitura com os alunos em sala de aula. Um material didático com textos mais complexos do que os do livro de Schmidt, que tem uma linguagem informal, dificulta o aprendizado, já que os estudantes não têm o hábito de ler. O professor de história da Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, zona oeste, Marcelo Marins, conta que já foi questionado por pais sobre questões ensinadas nos livros. "Nem todos estão preparados para as perguntas que as crianças fazem quando voltam para casa", diz. O episódio ocorreu depois das aulas de História Antiga, em que o autor levanta a possibilidade de o movimento de marés ser a explicação para o milagre bíblico da abertura do Mar Vermelho por Moisés. LIÇÃO DE CASA Chung I Feng, autônomo e pai de dois estudantes de 7ª e 8ª séries da Escola Benjamin Constant, colégio particular na Vila Mariana, acredita que as idéias apresentadas no material didático não são um problema. "Ideologia a gente forma em casa", afirma. Ele conta que a filha Amy Chung, na 8ª série, fez várias perguntas sobre socialismo depois das aulas, mas conclui que esse é um debate bastante saudável."Vivemos numa democracia, por isso as crianças precisam conhecer de tudo um pouco." A mesma opinião é compartilhada por Isabel Olivieri, professora de educação infantil e mãe da aluna da 7ª série Isabela Olivieri. "O livro não é o elemento mais importante da classe. O diálogo pode ser recurso que complementa a formação das crianças e as faz mais críticas." Apesar de não ser uma fã da disciplina, Isabela concorda. "Estamos estudando África, o que é legal para entender um pouco sobre a desigualdade." A mãe conta, orgulhosa, que a menina voltou para casa cheia de perguntas. "Acho saudável quando isso acontece. Não vejo problema nenhum com esse livro (de Schmidt)", arremata Isabel.