Pais e especialistas apoiam particular em avaliação, mas ranking não é consenso

Karina Toledo e Renata Cafardo - O Estado de S.Paulo

Pais de alunos creem que a participação da rede particular paulista em avaliação oficial do governo servirá como instrumento na hora de escolher o colégio dos filhos. Reportagem publicada ontem pelo Estado mostrou que está pronta uma minuta de parecer no Conselho Estadual da Educação (CEE) que obriga estudantes de escolas privadas a participar do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp)."É uma forma de avaliar a escola", diz o engenheiro José Pedro Cabral de Vasconcellos, pai de aluna do Colégio Santa Marcelina. "Poderemos avaliar se o conteúdo dado em aula está compatível com o esperado", diz Simone Antunes, mãe de estudante do Colégio Pentágono.Já o empresário Fábio Amaral, pai de alunos da Escola da Vila, é contra a divulgação de um ranking. "Sou a favor da avaliação, mas acho que ela sozinha não identifica se a escola é boa ou não. Não leva em conta fatores como a formação dos professores, o ambiente, o espaço."Para a educadora da Universidade de São Paulo Silvia Colello, o problema surge justamente quando o exame se torna o único instrumento de avaliação da escola. "Existem propostas pedagógicas, filosofias e públicos muito diferentes. Não dá para avaliar todos os aspectos com uma prova. Isso cria um clima de competição entre as escolas e alimenta o que há de mais comercial na educação." Especialistas discutem também a inclusão de alunos com necessidades especiais na avaliação. "Se não houver algum tipo de compensação, as escolas podem não querer receber esses alunos para não baixar o rendimento no exame", diz a diretora da Escola da Vila, Sônia Barreira. O Estado tem hoje 4.200 alunos especiais em classes regulares da rede privada e esse número tende a crescer.No Brasil, são 20 mil em escolas particulares e 300 mil no sistema todo, o que inclui estabelecimentos especiais. "As escolas que não incluem não podem ser beneficiadas. Deveria haver pontos a mais para quem recebe alunos com deficiência", diz a procuradora do Ministério Público Federal, que defende a inclusão, Eugênia Fávero. A Secretaria da Educação diz que alunos especiais da rede fazem o Saresp, mas o número não influencia estatisticamente no resultado. No último exame, eles representaram menos de 1% do total de alunos.