Pai diz que stress não causou morte

Jotabê Medeiros, LOS ANGELES - O Estado de S.Paulo

Joe Jackson afirma que a família não relaciona excesso de trabalho à parada cardíaca sofrida por Michael Jackson

O pai de Michael Jackson, Joe Jackson, falou pela primeira vez com a imprensa ontem, na sua residência em Encino (Califórnia), e disse que não acredita que a parada cardíaca que matou seu filho tenha sido causada por stress, motivado pelo excesso de trabalho. O astro se preparava para realizar 50 shows em Londres e se submetia a uma rotina de ensaios diários de até quatro horas. Segundo Joe Jackson, que falou ao programa Gerardo at Large, da rede de televisão Fox News, a família vê anormalidades em sua morte. Ela pediu uma autópsia independente do corpo, finalizada anteontem. O cantor morreu na quinta-feira, em Los Angeles. O exame pode ter custado até US$ 20 mil e o resultado sairá mais rápido do que o realizado pelas autoridades, por não ter de seguir os procedimentos oficiais de investigações policiais. Os exames toxicológicos oficiais sairão só entre quatro e seis semanas. As dúvidas cercam o médico particular de Michael, o cardiologista Conrad Murray, que estava com ele na hora da morte. Segundo o reverendo Jesse Jackson, amigo da família, os parentes querem saber se houve abuso de medicamentos e se o médico estaria envolvido. Anteontem, em depoimento de três horas à polícia, Murray afirmou que foi ele quem sugeriu à família que fizesse uma nova autópsia para ter certeza da causa da morte. O médico negou, no depoimento, que tivesse administrado os medicamentos Demerol e Oxycondim (dois fortes analgésicos) no seu paciente e que o encontrou já agonizante, com uma pulsação muito fraca, tendo aplicado os primeiros socorros. Em nota, a polícia de Los Angeles afirmou que Murray se mostrou "cooperativo" e que as informações passadas por ele ajudarão a montar as últimas horas de vida de Michael. Fontes da polícia disseram ao jornal Los Angeles Times que as autoridades não acharam motivos para duvidar de sua versão. A porta-voz de Murray, Miranda Sevcik, disse que ele respondeu "a todas e a cada uma das perguntas" feitas pelos policiais. Ele "ajudou a identificar as circunstâncias em torno da morte do ícone do pop e a esclarecer as inconsistências", afirmou Sevcik. "Os investigadores disseram que o doutor não é suspeito e que continua como testemunha dessa tragédia. Murray continuará cooperando totalmente com as autoridades e pede que todos mantenham a família de Jackson em nossas orações." HOMENAGENS Apesar de os fãs esperarem ansiosamente informações sobre o funeral do astro, seu pai não informou os planos da família. Ele se limitou a dizer que "Michael foi um dos maiores superstars da história e era amado por todos, por gente pobre e também de outras origens, não importa quem fosse". O reverendo e ativista político Al Sharpton, amigo da família, disse que discute-se a possibilidade de cerimônias simultâneas pelo mundo. Os irmãos de Michael Jackie e Jermaine teriam pedido a Sharpton que se reunisse com eles para discutir as homenagens ao cantor. Segundo o reverendo, a família gostaria que Michael fosse lembrado como um artista que fez uma contribuição sem precedentes à cultura - e não como alguém com dívidas enormes, que abusava de medicamentos e que sofreu acusações de pedofilia. "Michael Jackson era um gênio, não um monstro", disse. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou uma mensagem de pêsames por escrito à família, informou ontem seu assessor David Axelrod à rede de televisão americana NBC. Segundo ele, Obama vê Jackson como um "importante e brilhante" artista que "em muitos aspectos teve uma vida triste". COM AFP E AP