Pai de italiana em coma diz que está dando voz à filha

Efe e AFP, Roma - O Estado de S.Paulo

Giuseppe Englaro, pai da italiana de 38 anos que está em estado vegetativo desde 1992, afirmou ontem ao jornal chileno La Nación que não fez mais do que respeitar a vontade de sua filha. "Não fizemos nada além de dar voz a Eluana", disse ele, explicando a briga judicial que enfrentou para retirar a sonda que a alimenta. No final de semana, a alimentação e a hidratação foram retiradas.Englaro questiona a Igreja Católica e as ideologias que tentaram se impor em uma história que ele viveu com mais dor que qualquer outra pessoa. Embora o debate do caso tenha começado em 1997, quando foi iniciada a batalha judicial para desligá-la, a polêmica veio à tona após a Justiça permitir que a família iniciasse o procedimento. Ele lembra que, semanas antes de sofrer o acidente, a filha - chocada com uma história semelhante de um amigo que ficou em coma profundo - disse o que deviam fazer com ela na mesma situação. "Ficava horrorizada com estes casos, ao ponto de dizer que ela não aceitaria isso (ficar em coma) jamais." Mesmo assim, a ala do governo liderada pelo primeiro ministro Silvio Berlusconi não desiste. Chegou a aprovar decreto-lei suspendendo a decisão judicial, mas o presidente Giorgio Napolitano se recusou a assinar o documento. Partidos de esquerda acusam Berlusconi de desrespeitar o Estado democrático e usar o caso para fazer política. Ontem, o ministro da Saúde italiano, Maurizio Sacconi, afirmou que considera "irregular" a hospitalização de Eluana na clínica La Quiete (para idosos), já que a sentença do tribunal especificava a transferência para um centro médico especial para doentes terminais.