Os livros da Fuvest e da Unicamp

- O Estado de S.Paulo

Izeti Fragata, professora do Bandeirantes, comenta lista de obras Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente Ainda que seja uma obra do século 16, é de leitura bastante acessível ao estudante, especialmente se este contar com uma edição bem organizada, com notas explicativas a respeito da linguagem arcaizante. Ultrapassado este obstáculo linguístico, a peça de teatro de Gil Vicente oferece ao leitor várias cenas bem humoradas, porque o autor soube como poucos fazer valer o lema latino Castigat ridendo mores (Rindo se corrigem os erros). Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antonio de Almeida Inova o romance urbano romântico com as aventuras do malandro Leonardinho. A narrativa é ágil, divertida e reconstitui costumes e superstições de gente simples que vivia no Rio de Janeiro na época do Império. O desfecho da obra revela, um mundo em que os limites do certo e errado, do lícito e ilícito são difusos e muitas vezes se mesclam de tal modo que não se pode adotar julgamentos definitivos para as ações dos personagens. Iracema, de José de Alencar É um romance indianista romântico que exalta os encantos da terra brasileira. Através de uma prosa poética, José de Alencar narra a trágica história do amor da bela vestal indígena Iracema pelo guerreiro português Martim. Desde a sua publicação em 1865, desperta grande interesse nos leitores, como bem previu Machado de Assis quando leu a obra: "Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro?" Dom Casmurro, de Machado de Assis Romance que há mais de 110 anos intriga os leitores com a enigmática personagem Capitu. O protagonista é Bentinho, que escreve a respeito de sua vida para compreender sua existência e colocar fim a uma dúvida martirizante: Capitu, sua esposa, teria mantido um caso amoroso com seu amigo mais íntimo? Embora Bentinho construa uma narrativa para incriminar sua mulher, a dúvida sobre a fidelidade de Capitu permanece para sempre. O Cortiço, de Aluísio de Azevedo A obra fala dos excluídos sociais. Variados tipos físicos e psicológicos aglomeram-se num cortiço,onde são analisados, sob a perspectiva naturalista, valores e comportamentos. João Romão, dono do cortiço, encarna a ambição desmedida, enriquece e ascende socialmente. Através da trajetória desse personagem, o autor, bem sintonizado com as teses naturalistas, prova a validade de uma das leis deterministas: os mais fortes sobrevivem. A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós A obra traz o debate sobre as conquistas da civilização expondo o antagonismo existente entre a vida fútil e sofisticada de Paris e o laborioso paraíso das serras portuguesas. Esse antagonismo é o eixo vital da narrativa. Ele vai conduzir ao questionamento dos exageros promovidos pela técnica e todo o excesso produzido na urbanidade, que submetem o homem a angústias e desolações próprias do espaço cosmopolita. Vidas Secas, de Graciliano Ramos Publicada em 1938, a obra é dividida em capítulos que apresentam 13 quadros de um mundo de necessidades e injustiças vividos por uma família de retirantes. É a denúncia de um Brasil atrasado e esquecido pela elite governante. Assim como alguns romances neorrealistas, Vidas Secas contrastava com a propaganda otimista do Estado Novo, que prometia o surgimento de um país desenvolvido, que superaria as profundas diferenças sociais. Capitães da Areia, de Jorge Amado Pertence ao romance neorrealista dos anos 30, assim como Vidas Secas. O narrador valoriza os aspectos humanos de um grupo de meninos pobres, que não têm lugar numa sociedade organizada pela ganância capitalista. São todos marginalizados e alguns revoltados. A mensagem principal ao final das aventuras dos capitães da areia é a de que somente uma reforma radical na sociedade acabaria com a discrepância entre ricos e pobres. Antologia Poética, de Vinícius de Moraes Reúne poemas escritos da década de 30 ao final da década de 50 do século passado, que apresentam duas fases distintas do autor: a primeira mística, transcendental, de inspiração cristã, e a segunda, mais preocupada com acontecimentos da vida comum, de todos nós. A temática dos poemas é variada, Vinícius de Morais fala de sonhos, amores felizes e perdidos e almas graciosas, mas também de trabalhadores anônimos, suplícios e morte.