Operação Cupim prende 15 pessoas

João Naves de Oliveira - O Estado de S.Paulo

Servidores públicos estão entre os acusados de tráfico de madeira

Pelo menos 15 acusados de desmatamento ilegal foram presos ontem na sede do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em Campo Grande (MS). Um deles é acusado nas investigações de coordenar quadrilhas desmanteladas em Sinop e Marcelândia (MT) e Aquidauana e Campo Grande (MS), Júlio Alberto Pereira Pinto, de 31 anos, dono de madeireira e transportadoras. As prisões fazem parte da Operação Cupim, desencadeada ontem pelo Gaeco e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).Segundo o Gaeco, Pinto teria envolvido funcionários públicos no esquema. Ele apareceu nas investigações em fevereiro, com a prisão de Sebastião Mota de Oliveira Filho, auxiliar terceirizado de pista no posto fiscal de Jupiá, em Três Lagoas (MS). Sebastião recebia dinheiro para deixar os caminhões da Silver Line Transporte e Logística Ltda. e J. A. Pinto Transporte Ltda., ambas sediadas na casa de Pinto, passar com madeira, sem vistoria.Além de ser acusado de facilitar o tráfico de madeira, Sebastião teria falsificado notas fiscais com carimbos da Receita estadual. Diariamente, cinco ou mais caminhões ficavam estacionados ao longo da BR-163 em postos de gasolina, aguardando a chegada do "carimbador". Também foram presos durante a operação quatro servidores da Secretaria Estadual de Fazenda de Mato Grosso do Sul e um funcionário da Secretaria Estadual de Administração."As provas colhidas até agora comprovam que a quadrilha é formada por empresários do setor madeireiro e de transportadoras.Porém o mais lamentável é a participação direta de servidores públicos", disse o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Miguel Vieira da Silva. Os advogados que defendem todos os acusados não querem prestar nenhuma declaração sobre a prisão de seus clientes até tomar conhecimento de toda a situação. Eles estavam acompanhando os depoimentos na sede do Gaeco, que deverão terminar hoje.Para o superintendente da PRF em MS, Valter Aparecido Favaro, é incalculável a quantidade de árvores de madeira de lei derrubadas na região por grupos desse tipo.