ONGs fazem proposta-síntese para clima

Cristina Amorim - O Estado de S.Paulo

Após 8 meses de negociações, entidades apresentam plano para países

Quase 50 grupos ambientalistas, de ação local e global, apresentaram ontem, em Bonn (Alemanha), uma proposta ambiciosa para um novo acordo climático internacional. Eles afirmam que, para manter o aquecimento global em uma temperatura aceitável para o homem, os governos terão de fazer cortes radicais nas emissões de gases-estufa - e os países ricos terão de pagar US$ 160 bilhões por ano para ajudar as nações em desenvolvimento.Segundo cálculo das ONGs, para manter o aquecimento controlado em 2°C acima da temperatura média antes da Revolução Industrial - patamar considerado minimamente seguro -, é preciso reduzir as emissões em 80% em relação a 1990 até 2050. Isso significa reduzir drasticamente a quantidade de gases-estufa na atmosfera: em 2020, estaria em 36,1 gigatoneladas de CO2 equivalente e, em 2050, 7,2 gigatoneladas.Esse volume sairia de um "orçamento global de carbono", ou quanto gás-estufa poderia ser emitido todos os anos por todos os países. O texto propõe que países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China, tenham um tratamento diferente do conferido aos ricos. Eles atingiriam um pico de emissão até 2020, para então começar a reduzir sua taxa.As ONGs propõem ainda a criação de um Fundo Climático de Copenhague, que cuidaria do financiamento e da logística tecnológica da operação.A proposta é uma provocação dos 181 membros da convenção, pois utilizou como matéria-prima suas próprias propostas. Os países precisam chegar a um consenso na Conferência do Clima, em dezembro.Para Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil, o que foi apresentado até agora pelos países é "uma colcha de retalhos". Ele espera que a proposta das ONGs seja vista como uma forma de reunir as diferentes percepções.Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, da WWF-Brasil, afirma que as diferentes opiniões das ONGs foram um desafio durante sua formulação, que durou oito meses. "Ela saiu por causa do nível de confiança que se estabeleceu. Nas negociações verdadeiras, a falta de confiança é tão grande que impede o avanço."COM REUTERS