OMS se volta para o Sul por iminência do inverno

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O governo colombiano confirmou ontem um caso de gripe suína, o primeiro da América do Sul. O dado também já foi recebido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas. A Opas informou ontem que já espera uma alta dos registros nesta semana na região. Também o governo de El Salvador informou um caso confirmado - foi o segundo País na América Central, ao lado da Costa Rica.O gerente de Vigilância em Saúde, Prevenção e Controle de Doenças da Opas, o brasileiro Jarbas Barbosa, disse que há na região uma lista considerável de pessoas com sintomas da doença que aguardam o resultado do único teste que pode confirmar ou descartar a infecção. "Notamos que as Américas apresentam ainda reduzido número de países com casos confirmados. Provavelmente isso deve mudar", disse ao Estado.A OMS aponta que um dos motivos pelos quais a gripe suína não chegou ainda ao Brasil pode ser o fato de, por enquanto, a doença seguir uma "rota turística". Desde que o surto surgiu no México, a maioria dos países atingidos se encontra na Europa, além de Canadá e Estados Unidos. "Vemos que o padrão da transmissão seguiu a rota turística", disse Gregory Hartl, porta-voz da OMS. Essa seria, segundo ele, uma possível explicação da falta de casos no Brasil, país que envia um contingente de turistas menor ao México do que países europeus e norte-americanos. Nos meses de inverno no Hemisfério Norte, muitos aproveitam feriados em busca de locais como o México. Casais em lua de mel e estudantes viajando a turismo estão entre os infectados.Ainda assim, a OMS defende que governos precisam deixar claro à população o risco de eventual pandemia - sem criar pânico. "A mensagem tem de ser equilibrada", afirmou Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS.COLABORARAM JAMIL CHADE e FABIANE LEITE