OMS negocia pacote para combater vírus e debate produção de imunizante

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

Com o número de casos beirando os 2 mil, OMS e ONU negociam um pacote internacional para lidar com o vírus A (H1N1) e garantir remédios aos países mais pobres. O acordo vai incluir um plano para fabricar vacinas, acesso a antivirais, fortalecimento de sistemas de saúde, financiamento para países pobres e entendimento sobre patentes. O Brasil quer a garantia de que novas vacinas produzidas não serão patenteadas. Países ricos correm para encomendar vacinas que nem existem, o que pode fazer com que falte remédio para os demais. Ontem, a OMS anunciou uma reunião entre empresas em Genebra, na semana que vem, para superar um dilema: abandonar ou não a produção de vacinas para a gripe sazonal para permitir a do novo vírus. A OMS afirma que o Instituto Butantã fará parte do acordo para a produção de vacinas. A entidade se deu conta de que precisará dos brasileiros. Em duas semanas, uma reunião com países doadores, Banco Mundial e empresas será feita. Se a gripe suína se transformar em pandemia, as empresas terão de fazer uma nova vacina. Elas vão receber amostras do vírus até o fim do mês. A OMS hesita por causa do alto número de vítimas que a gripe sazonal faz. A entidade, porém, está sendo pressionada a decidir, pois uma nova vacina levaria de 4 a 6 meses para ser feita. Se o vírus se espalhar pelo Hemisfério Sul no inverno, uma demora em chegar a um acordo pode deixar milhões sem proteção. A última pandemia, de 1968, matou 1 milhão. As vacinas chegaram tarde demais. Mas, se o novo vírus for suave e as empresas estiverem produzindo vacinas só para ele, a OMS será criticada por deixar faltar vacinas para a gripe sazonal. Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS, admitiu que não há como garantir vacinas para todo o mundo. A estimativa é de que a capacidade máxima de produção seria de 2 bilhões de doses. Mas os primeiros resultados indicam que cada pessoa teria de tomar duas doses. Portanto, só um sexto da população mundial teria acesso à vacina. Cerca de 20 empresas fabricam vacinas no mundo. A maior, Sanofi-Aventis, deixou claro que terá de reduzir a produção de vacinas para a gripe sazonal se for orientada pela OMS a fazer o novo tipo de imunizante. Por isso, a OMS procura empresas de países emergentes.