Obesidade e sedentarismo aumentam incidência de câncer em jovens

Redação - O Estado de S.Paulo

Ganho no índice de massa corpórea pode elevar riscos de desenvolver tumores colorretais

“Os tumores colorretais ainda atingem mais as pessoas acima dos 50 anos de idade. No entanto, há um crescimento entre os jovens”, diz o cirurgião oncológico Samuel Aguiar Júnior, líder do Núcleo de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

“Os tumores colorretais ainda atingem mais as pessoas acima dos 50 anos de idade. No entanto, há um crescimento entre os jovens”, diz o cirurgião oncológico Samuel Aguiar Júnior, líder do Núcleo de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center. Foto: derneuemann / Pixabay

Obesidade e sedentarismo prejudicam a todos sem distinção de idade. Mas, no caso dos jovens, os dois fatores podem estar atrelados ao crescimento nos casos de tumores colorretais. É o que afirma o cirurgião oncológico Samuel Aguiar Júnior, líder do Núcleo de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center. Ele cita, por exemplo, um estudo publicado pelo British Medical Journal que indicou que cada 5 kg/m² ganhos no índice de massa corporal representam um aumento de 9% no risco de desenvolver a doença entre homens.

Já o estudo apresentado no Journal of the National Cancer Institute apontou que o crescimento anual desse tipo de tumor, desde a década de 1980, foi de 1% e 2,4% entre adultos de 20 a 39 anos. Na faixa dos 40 aos 54 anos a variação anual foi de 0,5% e 1,3% desde meados da década de 90. 

“Os tumores colorretais ainda atingem mais as pessoas acima dos 50 anos de idade", explica o cirurgião. "No entanto, há sim um crescimento entre os jovens, o que é preocupante do ponto de vista dos fatores geradores e também do rastreamento da doença”, afirma o especialista.

 

Dados mais recentes do SEER (Banco de Dados Populacional norte-americano) revelam que a incidência de câncer colorretal aumentou 22% entre 2000 e 2013 na faixa etária abaixo dos 50 anos, tendência inversa à faixa etária acima de 50 anos - em que houve queda de 32% na taxa de incidência, no mesmo período.

Prevenção ainda é o melhor remédio

De acordo com Samuel Aguiar Júnior, as pessoas de maneira geral ignoram sintomas que sinalizam problemas no trato intestinal, como a presença de sangue nas fezes, dores abdominais ou alteração do ritmo intestinal. “Existe aquela história, por exemplo, de que nas férias a mudança de ambiente provoca alterações no funcionamento do intestino, mas há limites e é preciso dar atenção também a isto”, reforça.

Como medidas preventivas, além do olhar aos possíveis sintomas estão o exame de sangue oculto e a colonoscopia. O primeiro atua no rastreamento e o segundo, no diagnóstico.

“É importante ressaltar que o resultado positivo da pesquisa de sangue nas fezes não significa que o paciente está com câncer", exlica o especialista. "Esse resultado indica que há um problema, que pode ser uma inflamação, uma gastrite ou uma úlcera, mas também um câncer", diz. 

Ainda segundo Samuel Aguiar Júnior, grande parte dos tumores colorretais surgem a partir de pólipos - lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso e são removidas por meio da colonoscopia. "Por isso enfatizamos a necessidade do rastreamento", completa. 

Outro ponto também pouco conhecido é que, se de um lado há um aumento da doença, por outro os avanços na medicina contribuem para o seu combate. Diagnosticados nos estágios iniciais, o câncer colorretal pode apresentar cerca de 90% de chances de sucesso no tratamento. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) o câncer colorretal é o segundo tumor letal de maior incidência em mulheres (19 mil casos anuais) e o terceiro em homens (17,4 mil).