''O projeto está falido. É uma referência burocrática''

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O cadastro do Cartão SUS que existe no País tem a função de liberar o pagamento de procedimentos de média e alta complexidade e a distribuição de medicamentos considerados mais complexos. "Trata-se de uma referência burocrática, não um instrumento de gestão. É muito pouco, diante do que o projeto todo propunha", diz o coordenador do Programa Cartão SUS em Mato Grosso do Sul, Tiago Oliveira Vargas. "O projeto está falido. Um triste fim para um programa tão promissor."Ao longo dos últimos anos foram várias as apresentações do cartão. O magnético, o de plástico, o provisório. Depois de uma norma determinada pelo governo, que condicionava o pagamento de procedimentos mais caros à existência do cartão, houve uma proliferação de registros. "Para não deixar o paciente sem atendimento, um cartão era confeccionado na hora", conta Rosangela Silva, que durante cinco anos esteve à frente da coordenação do Cartão SUS no Rio Grande do Norte. Não é difícil imaginar o resultado: uma leva de cartões em duplicata."O que falta é vontade política do governo federal (para implementar o programa)", afirma. Em cinco anos, ela diz ter trabalhado com três secretários estuais no RN. "Uns gostavam mais do programa, outros menos. Mas não importa: sem o aval, o apoio de Brasília, nada vai para frente."Hoje à frente da coordenação do Programa Bolsa Família, ela diz viver no melhor dos mundos. "É uma diferença incrível. Temos estrutura, apoio. E isso já explica porque um programa anda, o outro não."