O jogo indiano do autoconhecimento

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Um grande tabuleiro, com 72 casas, abriga espadas e serpentes num longo percurso que deve ser percorrido por, no máximo, seis jogadores. O dado é a peça-chave do jogo e, por meio dele, é possível encarar a batalha de dominar e canalizar os instintos, as emoções, as ansiedades e os desejos. É uma luta do começo ao fim. Parece um jogo adolescente, mas não é! Chamada de Maha Lila ou O Grande Jogo, a invenção indiana - desenvolvida há mais de 5 mil anos - é considerada, por algumas pessoas, um oráculo. Formada por casas que representam uma virtude ou vício, o funcionamento da partida é simples: o participante joga o dado e anda o número de casas de acordo com o valor indicado. Na casa, encontrará uma carta com um texto - que deve ser recitado em voz alta. Feito isso, joga-se novamente até chegar no final do percurso. ?As pessoas percebem que o jogo fala com elas. Nessa hora, ressuscitam a inveja, a raiva e coisas que não foram resolvidas no passado, pois aborda temas desde a infância até a vida adulta?, explica André De Rose, professor e diretor da Escola de Yoga Natarája. Para ele, o objetivo do jogo é fazer com que os participantes reflitam e libertem os seus medos. Na próxima sexta-feira, o espaço Natarája, localizado na Vila Madalena, realizará um curso sobre o Maha Lila. ?Vamos ensinar a teoria do estudo e depois praticá-lo. O ganho do jogo é apenas jogá-lo. Todos somos vencedores?, garante De Rose.