O amor nos tempos de sempre

Felipe Machado, do Jornal da Tarde - O Estado de S.Paulo

Às vezes nos vem à mente o rosto daquela paixão do passado, não importa se foi correspondida ou não. Ela será sempre mais perfeita do que era na vida real

Sabe aqueles caras que choram até em comerciais de TV? Pois é, eu sou um deles. Vou além: choro até quando acabo um livro que me emociona, como O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez.   A adaptação para o cinema me dividiu: por um lado, fiquei feliz em poder visualizar as imagens que tanto sonhei; por outro, odiei o filme... por ter me feito visualizar as imagens que tanto sonhei.   Contraditório? Com certeza. Quem não leu o livro, certamente gostará da sensível história mostrada na tela. Quem leu, vai se sentir da mesma forma que todo mundo se sente quando vê uma adaptação de um livro que leu e gostou: o sentimento de "nossa, simplificaram demais a trama!" é inevitável.   Esquecendo isso, o filme é lindo. É lindo porque a história é linda: os jovens Florentino Ariza e Fermina Daza (adoro esses nomes) se apaixonam, mas o pai dela não permite o relacionamento porque Florentino é um pobre poeta. O médico Juvenal Urbino entra em cena, conquista o coração da bela Fermina e a leva para a Europa. Florentino, desiludido, passa cinqüenta anos esperando pela mulher de sua vida. Um dia, Juvenal Urbino morre. O resto eu não posso contar.   Nem todo mundo possui um admirador paciente como Florentino Ariza, mas, em maior ou menor escala, todo mundo tem uma Fermina Daza guardada em algum canto do coração. É aquela pessoa do passado que você amou ou pensou que amou - o que, no fundo, é a mesma coisa. A ilusão faz parte do amor. A desilusão também.   Uma vez ou outra na vida vem à mente o rosto daquela paixão da juventude, não importa se foi correspondida ou não. Ela será sempre mais perfeita do que era na vida real. Lembrar de alguma ‘Fermina Daza’ não é sua culpa, nem é motivo para a sua paixão atual ficar com ciúme. O passado pode ser um fantasma ou uma saudade, não importa. O importante é que essas memórias são suas, só suas. E de mais ninguém.   Antes que você pergunte, sim, eu chorei no final da sessão de Amor nos Tempos do Cólera. Lágrima por lágrima, no entanto, eu chorei mais na última página do livro. A diferença é que não tinha ninguém lá para me ver. É sempre melhor chorar sozinho.   Eu queria ser esse cara Oscar Niemeyer, arquiteto Chegar aos 100 anos deve ser incrível... ainda mais como um dos maiores arquitetos da história.   Borracharia Juliana Knust Ju disse que sua Playboy 'ficou sensacional'. Ué, ela tinha dúvidas? Eu não.