Número de cursos cresce 15% ao ano

Simone Iwasso - O Estado de S.Paulo

Cerca de 150 hospitais, fundações e institutos têm vaga de especialização, em um universo com 183 universidades

O credenciamento especial de hospitais, fundações e institutos profissionais para oferta de cursos de especialização lato sensu cresceu 15% ao ano, desde 2001, representando atualmente 5% de todas as instituições de ensino superior do País. Para se ter uma ideia, são cerca de 150 entidades do tipo num universo onde existem 183 universidades, segundo dados de levantamento do Conselho Nacional da Educação.

"É um mercado que tem crescido, com atuações muito específicas, mas a solução não é extinguir toda a modalidade. Seria jogar o bebê junto com a água do banho", afirma o consultor Carlos Monteiro, da CM Consultoria. "Seria melhor criar uma espécie de avaliação para o setor, que oferece cursos muito específicos e que atende uma demanda de mercado."

Hoje, esses cursos são avaliados apenas no momento de sua abertura e na hora em que pedem o recredenciamento, num processo semelhante ao que ocorre com as especializações dadas por universidades e faculdades. Apenas a especialização stricto sensu, que forma mestres e doutores, é avaliada constantemente pelo governo.

"É um grande equívoco e não entendo o que motivou o conselho a fazer isso. Por mais que possa haver instituições menores e sem credibilidade, há entidades sérias, com alto nível de excelência e que atuam em áreas muito específicas na formação para o mercado de trabalho", afirma Roberto Padilha, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês. O centro tem cerca de 400 estudantes de especialização e nesta semana, por exemplo, inaugurou em parceria com o Ministério da Saúde um curso de especialização em Gestão na Clínica do SUS com 860 alunos de todo o País.

Para o médico, mesmo com a credibilidade que o hospital tem entre a área médica e o restante da sociedade, a possibilidade de oferecer um curso com certificado reconhecido pelo ministério é importante. "Você não pode colocar esse setor à margem do ensino superior, pelo contrário, é necessário discutir, pensar formas de melhorar até mesmo a avaliação. Há todo um movimento do próprio ministério de valorizar a educação profissional e esse parecer está na contramão", afirma.

A área da saúde é uma das que mais têm instituições com este tipo de credenciamento. Na área odontológica, por exemplo, são cerca de 20. "O curso de especialização em ortodontia tem 1.200 horas, é um treinamento que não se aprende na faculdade e que sempre foi dado por instituições especializadas", defende Flávio Vellini, do Instituto Vellini. Até cerca de dez anos, esses cursos eram regulados pelo Conselho Federal de Odontologia.

"Não faz sentido esse parecer, não é extinguindo uma modalidade que você ajuda a esclarecer quem são os bons e os ruins. Em todo ensino superior há instituições boas e ruins, como as avaliações mostram. Vamos extinguir o certificado dado por todas elas?", questiona Claudio Felisoni, da Funasp, entidade que representa 33 fundações de apoio à USP, como FIA e Fipecafi, que oferecem MBAs na área de negócios e administração. Nos cursos oferecidos pelas entidades da USP estudam 4 mil alunos.