Número de céticos está diminuindo

- O Estado de S.Paulo

Desde 2002, Rajendra K. Pachauri é o chefe do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC). Hoje, acredita que há um inquestionável consenso científico sobre aquecimento global. Na segunda-feira, o IPCC receberá o Prêmio Nobel da Paz, que dividirá com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore. Da Índia, Pachauri concedeu a seguinte entrevista:Que mecanismos podem ser eficientes para transferir tecnologia para reduzir as emissões?No momento, não há nenhum mecanismo. Espero que esse assunto receba atenção em Bali e em outras Conferências do Clima, porque, até agora, nenhum esforço foi feito para implementar os acordos de transferência de tecnologia.O que o senhor acha de fontes alternativas de energia, como o etanol, promovidas pelo governo brasileiro?São ótimas opções. No Brasil, o programa de etanol teve um sucesso enorme, mas nem todos os países do mundo podem adotá-lo: há risco de conflito entre a produção de comida e a de combustível.Por que existem céticos sobre um tema como o aquecimento global?Levou muito tempo para algumas pessoas acreditarem que a Terra era redonda, e não plana. Haverá pessoas que vão resistir às mudanças até que tenham provas sólidas, que podem significar o aumento do nível do mar em vários metros ou catástrofes naturais de grande porte. A boa notícia é que o número de céticos está diminuindo.O senhor acha que atingiremos consenso científico sobre as mudanças climáticas? O consenso já existe. Na verdade, você nunca atinge 100% de concordância em um tema como esse. Algumas pessoas sempre continuarão a acreditar que tudo isso é bobagem e não é real. Sempre haverá céticos, mas não devemos nos preocupar com isso. Ainda assim, acredito que haja um consenso enorme hoje. A comunidade científica inteira lida com as descobertas do IPCC.E qual deve ser o compromisso dos países desenvolvidos?Os países desenvolvidos precisam perceber que a questão climática é muito séria e vai acabar afetando a todos. Estamos juntos nisso. Se conseguirmos criar essa percepção na população dos países desenvolvidos, com certeza, eles farão pressão para que seus governos tomem as atitudes corretas. Acredito que não existem substitutos para a consciência pública.