Número de calouros de classe mais baixa supera elite na USP

Fábio Mazzitelli, JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo

17% têm renda familiar de até R$ 1.395; programa de inclusão está mudando perfil do aluno

O número de alunos ingressantes na Universidade de São Paulo (USP) provenientes da classe D superou neste ano a quantidade de calouros originários das classes A e B. Dos 10.557 aprovados no último vestibular, 1.850 (17,52%) têm renda familiar mensal entre dois e três salários mínimos, ou seja, de R$ 930 a R$ 1.395, e 1.427 (13,52%), acima de dez, ou seja, mais de R$ 4.650.

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No vestibular anterior, também realizado pela Fuvest, a classe D respondia por 15,25% dos aprovados contra 15,66% das classes A e B. O valor do salário mínimo é de R$ 465.

As informações constam no relatório divulgado ontem pela pró-reitora de graduação da USP, Selma Garrido Pimenta, no qual é feita uma análise dos resultados do Programa de Inclusão Social da universidade (Inclusp), criado há três anos para reduzir a desigualdade social no perfil dos alunos.

Desenvolvido para que a USP não precisasse implementar o sistema de cotas, adotado atualmente por parte das universidades federais, o Inclusp concede até 12% de bônus na nota para estudantes egressos de escolas públicas.

NOVO PERFIL

Entre os aprovados na primeira chamada do vestibular 2009, o número de alunos com renda familiar mensal até cinco salários mínimos (R$ 2.325) cresceu de 55,74% para 59,1% em relação à seleção anterior, chegando a 355 estudantes.

De 2008 a 2009, a quantidade de alunos aprovados que cursaram todo o ensino médio no sistema público subiu de 2.706 para 3.146 - ou 30,1% do total das vagas, sendo que 953 deles só entraram na faculdade em razão da bonificação concedida. É a maior participação de egressos da rede pública desde a criação do Inclusp - nos anos anteriores, o porcentual de aprovados ficava na casa dos 26%.

Para Selma, a mudança no perfil dos novos estudantes da USP reflete o sucesso do Inclusp. "Esses resultados são importantes para que as escolas (públicas) e os professores possam trabalhar com os alunos a importância de se fazer o ensino superior em uma universidade. Os estudantes, de modo geral, estão precisando de mais informações para abrir perspectivas de como podem se colocar melhor na sociedade", diz a pró-reitora de graduação.

Selma defende a inclusão social e se apoia em estudos desenvolvidos na própria USP para demonstrar que o nível do estudante da universidade tem se mantido com o programa. "É importante lembrar que os universitários (egressos de escolas públicas) apresentam desempenho igual ou superior aos demais", afirma.

O impacto do Inclusp atingiu também alguns dos cursos mais concorridos do vestibular da Fuvest. Em Medicina, por exemplo, o porcentual de alunos oriundos de escolas públicas saltou de 9,7%, em 2008, para 37,7%, em 2009.

Para o professor Ocimar Munhoz, da Faculdade de Educação da USP, a mudança no perfil dos alunos é positiva. "Ela aponta que esse pode ser um caminho para que se faça um processo de ingresso na universidade mais justo."

AS 10 MAIS

As escolas estaduais da capital que mais aprovaram em 2008:

Andronico de Mello

Jardim Colombo, zona oeste (19 alunos aprovados)

Manuel Ciridião Buarque

Vila Ipojuca, zona oeste (19)

Rui Bloem

Mirandópolis, zona sul (19)

Zuleika de Barros M. Ferreira

Pompeia, zona oeste (16)

Ascendino Reis

Tatuapé, zona leste (14)

Fernão Dias Paes

Pinheiros, zona oeste (14)

São Paulo

Brás, região central (14)

Alberto Conte

Santo Amaro, zona sul (13)

Carlos Augusto F. V. Júnior

Jabaquara, zona sul (13)

Antonio Vieira

Santana, zona norte (12)