Nova política dá mais poder a médicos

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

A nova política para tratamento de pacientes de gripe suína, que flexibiliza a indicação do antiviral oseltamivir, foi apresentada ontem pelo Ministério da Saúde com a divulgação de um novo manual sobre a doença. Nesta versão, foram mantidas diretrizes para o uso do remédio, mas exceções são previstas: "Prescrição e dispensação não previstas neste protocolo ficam sob responsabilidade conjunta do médico responsável e da autoridade de saúde local." Com isso, fica permitido a médicos, em casos específicos, iniciar o tratamento quando achar melhor, com a dose que achar necessário e pelo tempo que julgar mais adequado. Os detalhes do novo documento foram acertados na segunda-feira, durante reunião com especialistas. Mas a inclusão da frase gerou polêmica no grupo. Um setor, liderado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), defendia mais liberdade para médicos. Outro temia que a mudança levasse parte dos profissionais a prescrever o remédio exageradamente. O presidente da SBI, Juvencio Furtado, diz que parte dos colegas não se conformava com algumas restrições - como a que permite o início do tratamento apenas nas primeiras 48 horas a partir do início dos sintomas. "O que fazer quando um paciente chega com sinais de agravamento, mas que já está há alguns dias com sintomas da gripe?", argumentava.O protocolo sustenta ser contraindicado o uso do remédio para prevenir a contaminação pela doença. Essa prática é permitida em duas situações: profissionais de laboratório que tenham entrado em contato com amostras do H1N1 sem equipamentos de proteção ou trabalhadores de saúde que estiveram em situação de risco de contaminação.