Nova classificação de cor será testada pelo IBGE

- O Estado de S.Paulo

O sistema de classificação de cor usado pelo IBGE está em processo de revisão. A decisão foi anunciada no momento em que a proporção de autodeclarados pretos e pardos (49,5%) da população encostou na de autodeclarados brancos (49,7%), segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2006. Os técnicos do IBGE irão a campo no primeiro semestre de 2008 para verificar se as atuais cinco categorias (branca, preta, parda, amarela e indígena) estão adequadas à realidade do País. Eventuais mudanças, como a inclusão da variável origem étnica, seriam aplicadas no próximo Censo, em 2010. Foram elaboradas 13 perguntas com o objetivo de aprimorar a classificação. O IBGE escolheu seis Estados para o teste: São Paulo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Mato Grosso, Paraíba e Amazonas. Os pesquisadores usarão um método diferente para perguntar a cor das pessoas. No momento da entrevista, será sorteado um morador com mais de 15 anos. Atualmente, quando o técnico chega, uma pessoa da família se apresenta para responder por todos. "Agora será aleatório. Nós também não vamos direto ao assunto, como era feito: vai ter uma introdução. São estratégias para fugir de respostas pré-determinadas. Queremos que as pessoas se sintam com mais liberdade para falar", diz José Luís Petruccelli, responsável pelo estudo. Questionários e manuais já estão prontos. Exemplos: "Você acha que cor ou raça influencia a vida das pessoas no Brasil?" "Você saberia dizer qual é a sua cor ou raça?" O critério de autodeclaração está mantido, mas a possibilidade de resposta agora é aberta. Nas últimas contagens havia apenas o sistema fechado com cinco opções. A origem familiar, por exemplo, poderá ser abordada. E o entrevistado poderá dizer inclusive se vê discriminação. A pesquisa já foi testada no Rio, em Porto Alegre e no Recife. "O atual sistema é rígido, unidimensional. Um indígena pode se identificar como preto, outros como branco ou pardo. Será uma pesquisa autodeclaratória com leque mais amplo. O que for mais coerente e mais convergente poderemos usar em 2010", declarou Petruccelli. "O objetivo é estudar. Queremos propor alternativas, ampliar as categorias. Se surgirem novas, vamos incluir. Se constatarmos que atual sistema é excelente, fica como está", disse o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.