''Nós nos mantemos isoladas para evitar comentários''

Pedro Dantas, RIO - O Estado de S.Paulo

Entrevista - Mãe do rapaz contaminado com o vírus A(H1N1); Família do paciente internado no Rio com gripe suína teme ser acusada de irresponsabilidade, mesmo sem sintomas

Isolada com a filha de 19 anos desde a internação do filho, a mãe do jovem de 21 anos diagnosticado com a gripe suína viu a rotina da família se transformar. A mãe, de 47 anos, se comunica com o filho por rádio (o nome será mantido em sigilo para não expor o paciente e sua família). Ela nega que o rapaz tenha sido irresponsável ao participar de confraternização com amigos após a final do campeonato estadual de futebol, no domingo, ao chegar de Cancún, no México. Elogia o atendimento no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e critica a clínica particular que liberou o rapaz um dia antes de ele ser internado.Ao chegar do México, seu filho foi orientado a evitar aglomerações? Não. Ele chegou no sábado. Domingo, ele e outras pessoas que viajaram para Cancún foram confraternizar na Churrascaria Porcão, aqui na Ilha do Governador. Depois ele foi para casa, trocou a camisa do Flamengo e foi comemorar a vitória com amigos na Praia da Bica. Ele não tinha nenhum sintoma.Como foi o diagnóstico? Na segunda-feira, meu filho apresentou febre de 37,5°C e fomos a um hospital particular aqui na Ilha. O médico fez um exame de sangue e descartou a gripe suína. Ele ainda disse que meu filho devia tirar essa ideia da cabeça. Na terça-feira, meu filho começou a tossir, eu o levei ao Hospital Universitário. Os médicos já o isolaram para realizar os exames que confirmaram o diagnóstico.Como são os sintomas?São idênticos aos de uma gripe comum. A febre não foi alta e a tosse é frequente e com muito catarro, mas nada diferente.Seu filho ficou assustado?Ele mesmo quis ir ao hospital, pois estava com esse negócio na cabeça. Na hora do resultado (do exame), meu filho ficou chateado com a ideia de ficar dez dias em isolamento, mas o quadro clínico é excelente e ele é um menino forte. Os médicos estão otimistas.Como ele está sendo atendido? Muito bem. Ele ficou isolado desde a chegada. Nós e os amigos somos monitorados pela Vigilância Sanitária, que liga quatro vezes por dia. A coisa toda é muito bem feita.Sua família foi discriminada? Não. Eu e minha filha, que tivemos mais contato com meu filho, nos mantemos isoladas para evitar acusações de irresponsabilidade e comentários do tipo "você estava com seu filho e agora fica circulando". Não temos por enquanto nenhum sintoma, mas estamos cumprindo a recomendação da Vigilância Sanitária e vamos aguardar dez dias para ver se apresentamos os sintomas ou não.