Nos EUA, evento discute propostas para a Amazônia

- O Estado de S.Paulo

Com apoio do ''''Estado'''', seminário aborda impactos da integração regional

Subsidiar transporte aéreo na Amazônia, em vez de abrir mais estradas; criar mais fazendas de piscicultura em hidrovias, como substitutas para criação de gado; e facilitar a propriedade de terras para quem preserva a mata. Essas são algumas das políticas recomendadas pela ONG Conservation International (CI) para reduzir o impacto da integração regional na Amazônia. O estudo da CI foi o foco de um seminário realizado ontem, em Washington, pelo Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center for Scholars, com apoio do Estado. No evento, foram debatidos os impactos da Iniciativa para Integração da Infra-Estrutura Regional da América do Sul (IIRSA, na sigla em inglês) sobre a Amazônia. O estudo "A tempestade perfeita na Amazônia: desenvolvimento e preservação no contexto da IIRSA" também será encaminhado a autoridades brasileiras. O IIRSA prevê a construção de rodovias, hidrovias e ferrovias para interligar a região amazônica, além de oleodutos, gasodutos e linhas de energia. Tudo isso dentro na região de maior biodiversidade do planeta: Amazônia, cerrado e Andes tropicais.Segundo Timothy Killeen, da Conservation International e autor do estudo, será essencial expandir o mecanismo de créditos de carbono para evitar o desmatamento. Killeen calcula que a Amazônia esteja avaliada em US$ 1 trilhão a US$ 10 trilhões em créditos de carbono. Ao se implementar o sistema de recompensas a países por desmatamento evitado, uma redução anual gradual de 5% no desmatamento poderia render US$ 647 milhões no primeiro ano para os países e US$ 8,6 bilhões no décimo ano. Esses recursos poderiam ser investidos em saúde e educação para populações locais. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, um dos financiadores do IIRSA, o programa prevê 507 projetos de infra-estrutura e investimento de US$ 69 bilhões em 12 países da região, sendo 31 projetos no valor deUS$ 6,4 bilhões até 2010.Killeeen diz que os projetos deveriam ser avaliados minuciosamente. "Não basta avaliar o impacto ambiental de cada projeto isolado, é preciso determinar o efeito de uma rede de novas estradas e a migração que virá a reboque."O diretor de Conteúdo do Estado, Ricardo Gandour, foi moderador de um dos painéis do debate, que contou com a participação de especialista em meio ambiente. O seminário foi seguido da inauguração de uma exposição com 50 fotografias da Amazônia, feitas pelos repórteres-fotográficos do Estado para a revista Grandes Reportagens - Amazônia, publicada em 25 de novembro de 2007. A exposição, que tem apoio do Bradesco e American Express, vai durar dois meses e percorrerá outras instituições e universidades nos EUA. O Brazil Institute é dirigido por Paulo Sotero, que foi correspondente do Estado em Washington por 17 anos, antes de assumir a atual função, em setembro de 2006.