Nome de médico e registro profissional ficarão à mostra em unidades de saúde

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Em 90 dias, o nome de todos os médicos da rede municipal de saúde poderá estar à mostra nos hospitais, prontos-socorros e Unidades Básicas de Saúde. Para isso, basta que a lei sancionada ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) seja regulamentada, em 90 dias.A lei obriga a fixação de um quadro com nome, registro e especialidade do profissional nas salas de espera em todas as unidades da rede.O projeto é de autoria do vereador Adilson Amadeu (PTB) e tramita na Câmara desde 2005. A norma - no caso dos hospitais, também deve ser informado o horário do plantão dos profissionais - enfrenta resistência do presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo (Simesp), Cid Carvalhaes. Para o representante dos médicos, a lei de Kassab é "eleitoreira, autoritária e prepotente". Carvalhaes faz uma proposta irônica para que a lei seja aprovada e contemple outras esferas do serviço público. "Isso pode ser feito para todos os funcionários, a começar pelo próprio prefeito, com o horário de seu expediente, seu salário e todo o tipo de auxílios que recebe em sua renda", desafia.Ele sugere que o secretário municipal da Saúde, Januário Montone, faça o mesmo. "Deveríamos colocar também o número de médicos que deveria existir em cada unidade de saúde e não tem, além do salário deles que hoje é de R$ 1.270", afirma.O receio do presidente do sindicato é que a medida possa gerar insegurança para os médicos. "Em Bebedouro (interior do Estado) aprovaram uma lei parecida e as agressões fizeram com que o prefeito voltasse atrás", diz.ATENDIMENTOPara o vereador Amadeu, o autor do projeto, os médicos "deveriam parar de reclamar e trabalhar para que a lei seja aprovada". "Não dá mais para chegar a um pronto-socorro e não saber quem está nos atendendo ou quem é o responsável pelo plantão", afirma.Amadeu não vê potenciais ameaças à integridade física dos médicos caso a lei entre em vigor. "Alguns maus profissionais podem estar preocupados por não estarem trabalhando de verdade", diz.